Publicidade
Domingo, 25 de Outubro de 2026 MotoGP em directo
Motociclismo
Assinou o pacto. Em 1958, a MV Agusta ganhou 4 títulos!
Comércio e Indústria

Assinou o pacto. Em 1958, a MV Agusta ganhou 4 títulos!

Publicado a 24 de Outubro de 2026, às 23h01  ·  4 min de leitura

O Mundial de 1957 terminou com a saída de Guzzi, Gilera e Mondial, 3 marcas dominadoras das corridas. A MV Agusta também assinou o pacto, mas recuou e venceu 4 classes em 1958.

O essencial

  • O pacto de retirada foi oficializado em 26 de setembro de 1957.
  • Libero Liberati ficou sem lugar depois de conquistar o título de 500 cc com a Gilera.
  • A MV Agusta recuou e conquistou 4 títulos em 1958.

Ganhar já não chegava para justificar a permanência nas pistas. Em 1957, Guzzi, Gilera e Mondial abandonaram as grandes corridas no auge dos resultados, recorda Massimo Falcioni numa análise histórica da Gazzetta dello Sport, publicada em outubro de 2019.

O pacto de retirada foi oficializado em 26 de setembro de 1957 e também teve a assinatura da MV Agusta, segundo a Motociclismo apurou. Em 10 de outubro, delegados da Federação Internacional de Motociclismo reuniram-se em Milão com representantes de Guzzi, Gilera e Mondial, mas não conseguiram demovê-los.

O Mundial de 1957

Na imagem, um modelo da MV Agusta, numa fotografia oficial.
Na imagem, um modelo da MV Agusta, numa fotografia oficial.

As 3 marcas tinham dominado o campeonato e vencido em todas as classes no 35.º Grande Prémio das Nações, em Monza, no mês anterior. A retirada seguia o precedente da Benelli, que abandonara em 1951, depois da morte em Albi de Dario Ambrosini, campeão mundial de 250 cc.

Segundo a reconstituição de Falcioni, fecharam-se departamentos de competição e guardaram-se motos, deixando vários pilotos sem lugar, sobretudo italianos. Entre eles estava Libero Liberati, acabado de conquistar o título de 500 cc com a Gilera de 4 cilindros; a sua moto ficou coberta numa zona da fábrica de Arcore.

A MV Agusta voltou atrás

Na imagem, um modelo da MV Agusta, numa fotografia oficial.
Na imagem, um modelo da MV Agusta, numa fotografia oficial.

A MV Agusta retirou a decisão e permaneceu nas corridas, embora as suas motos passassem a exibir a inscrição «privat» nos depósitos. O recuo abriu caminho a várias temporadas de domínio, assinala o autor.

Logo em 1958, a marca conquistou 4 títulos, com Ubbiali nas 125 cc, Provini nas 250 cc e Surtees nas 350 e 500 cc. As antigas adversárias deixavam para trás estruturas e conhecimentos técnicos de topo, simbolizados pela Guzzi de 500 cc, com 8 cilindros e motor a 4 tempos.

As justificações não convenciam

Na imagem, um modelo da MV Agusta, numa fotografia oficial.
Na imagem, um modelo da MV Agusta, numa fotografia oficial.

Falcioni contesta as justificações então apresentadas para a retirada, a proibição das carenagens integrais a partir de 1958 e a alegada falta de adversários. Continuavam a competir outras marcas italianas e europeias, enquanto se anunciava a chegada dos fabricantes japoneses.

A Honda apresentou-se no Tourist Trophy em 1959, seguindo-se Suzuki, Yamaha, Kawasaki e Bridgestone. Na leitura do autor, as marcas italianas subestimaram a concorrência e interpretaram mal as mudanças económicas e industriais, dentro e fora de Itália.

O efeito do Fiat 600

O crescimento do automóvel ajuda a explicar essa leitura. Falcioni descreve uma indústria que, com a exceção da Piaggio com a Vespa, não soube adaptar-se à prosperidade italiana do pós-guerra, quando a moto continuava a ser vista sobretudo como transporte de quem tinha poucos recursos.

O Fiat 600, com facilidades de pagamento em prestações, tornou essa visão ainda mais difícil de sustentar. Entre 1957 e 1959, a espera pela entrega chegava a 1 ano, segundo o artigo. Ainda assim, o automóvel não eliminava a utilidade dos ciclomotores e das scooters nas deslocações para o trabalho, nem o interesse pelas motos de lazer e desporto.

De investimento a encargo

Para Falcioni, o problema ultrapassava os recursos humanos e financeiros exigidos pela competição. Guzzi, Gilera e Mondial tinham deixado de acreditar no futuro da moto, num setor que o autor considera também desamparado pelo poder político e económico.

Nessa perspetiva, as vitórias já não traziam vendas suficientes para justificar o esforço, e as corridas passaram de recurso a luxo insustentável. Na conclusão crítica do autor, faltou adaptar os produtos e reconhecer a competição como laboratório técnico e instrumento de identidade das marcas. O pacto de 1957 cortou precisamente essa ligação.

A MV Agusta Brutale 800 já está à venda em Portugal, a partir de 13 049 euros.

Leia também

Perguntas e respostas

Porque saíram Guzzi, Gilera e Mondial do Mundial em 1957?

Na análise de Massimo Falcioni, as marcas tinham deixado de acreditar no futuro da moto. As vitórias já não traziam vendas suficientes para justificar o esforço, e as corridas passaram de recurso a luxo insustentável.

A MV Agusta também assinou o pacto de retirada?

A MV Agusta também assinou o pacto, mas retirou a decisão e permaneceu nas corridas. Em 1958, conquistou 4 títulos, com Ubbiali, Provini e Surtees.

Helena Assis

Motociclismo  ·  20 artigos

Gosta de motos e de automóveis, e gosta ainda mais de perceber o negócio que os põe na estrada. Vai atrás da notícia que está por trás da notícia: a estratégia das marcas, os patrocínios, as decisões que raramente chegam aos títulos. Nos tempos livres não dispensa uma boa caminhada, para largar o stress dos estudos.

Colaboradora do Motociclismo. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o Motociclismo, o AutoGear e o M Sports.

Leia também

O essencial das
duas rodas, cada manhã.

Uma carta por dia, com o que saiu e o que interessa.