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Como é criado o som característico da Honda CB1000F?

Publicado a 17 de Outubro de 2026, às 14h27  ·  5 min de leitura

O som da Honda CB1000F nasce de condutas de admissão com 50 mm e 40 mm e de um desfasamento de 17 graus nos tempos das válvulas.
A diferença face à Hornet mostra como a afinação acústica acompanha o carácter de cada moto.

O essencial

  • Na CB1000F, os canais de admissão têm 50 mm nos cilindros 1 e 2 e 40 mm nos cilindros 3 e 4.
  • Um desfasamento de 17 graus nos tempos das válvulas contribui para criar a pulsação característica da CB1000F.
  • Os controlos eletrónicos refinam a resposta ao acelerador e a entrega de binário, mas não fabricam o som.

O som de uma Honda começa a ganhar forma muito antes de se montar o escape.
Na CB750 Hornet, foram experimentadas quase 100 configurações para testar o som, conta Takatoshi Tatsumi, especialista da Honda em ruído, vibração e aspereza de funcionamento (NVH).

A combustão está na origem da pulsação que distingue estes motores, explica Tatsumi.
Segundo a Motociclismo apurou, a CB1000F e a Hornet distinguem-se também pelas especificações das árvores de cames.
A CB1000F privilegia uma pulsação grave a baixas rotações, enquanto a Hornet procura uma subida de regime desportiva, com frequências mais altas.

Como nasce o som da Honda

Outra fotografia oficial da Honda CB1000F de 2026.
Outra fotografia oficial da Honda CB1000F de 2026.

Segundo Tatsumi, os especialistas de NVH participam desde a definição das especificações de um motor novo, incluindo o avanço da ignição e os tempos das válvulas.
Fixadas as características da combustão, fica também delimitado o carácter sonoro possível.
O escape pode acentuá-lo ou suavizá-lo, mas não inventá-lo.

Os protótipos de escape têm de conciliar som, potência, facilidade de condução, desenho e sensações em andamento, explica o engenheiro.
O equilíbrio depende do conceito de cada moto.
Nuns modelos pesam mais as metas numéricas; noutros, há mais liberdade para procurar sensações.
A subjetividade do som dificulta a definição de objetivos.

O ouvido ainda decide

A Honda simula e analisa digitalmente o som antes de construir protótipos físicos, segundo Tatsumi.
A precisão destas ferramentas melhorou, mas há aspetos que exigem testes na moto.
“Ultimately, we make the decision based on human perception”, afirma o especialista de NVH da Honda.

A avaliação considera o que ouve o condutor e o que chega a quem está à beira da estrada ou circula na cidade.
Os engenheiros analisam frequência, volume, resposta ao acelerador e variações subtis do som.
Tatsumi explica que, na sua experiência, a inspiração vem da lógica de engenharia, não conscientemente da música ou da natureza.

Duas motos, sons diferentes

Fotografia oficial da Honda CB1000F de 2026; não mostra a CB750 Hornet.
Fotografia oficial da Honda CB1000F de 2026; não mostra a CB750 Hornet.

Quando as alterações internas possíveis são limitadas, o escape ajuda a separar as identidades sonoras das motos.
Na CB1000F, os canais de admissão têm 50 mm nos cilindros 1 e 2 e 40 mm nos cilindros 3 e 4.
Esta solução combina-se com um desfasamento de 17 graus nos tempos das válvulas para criar uma pulsação própria.

O escape também elimina

Fotografia oficial da Honda CB1000F de 2026.
Fotografia oficial da Honda CB1000F de 2026.

“Fundamentally, the exhaust serves as a silencer”, explica Takatoshi Tatsumi, especialista de NVH da Honda.
O trabalho consiste em atenuar frequências indesejadas e destacar o carácter da combustão, por vezes reduzindo os graves e preservando frequências mais altas.
Na CB1000F, a Honda ajustou a resposta do escape para reforçar precisamente os graves.

A orientação da saída também conta.
Pode dirigir o som ao condutor, como na CB125R, ou aproveitar a reverberação no pavimento.
Segundo Tatsumi, estas escolhas afetam o conjunto da moto, não apenas a acústica.
Na CB1000F, a forma exterior do silenciador em megafone responde ao estilo, mas o som depende da estrutura interna e das especificações do motor.

Eletrónica sem som fabricado

Os controlos eletrónicos refinam a resposta ao acelerador e a entrega de binário, explica Tatsumi, mas não fabricam o som.
Permitem explorar diferentes facetas do motor, incluindo uma resposta mais agressiva quando as condições ou os modos de condução o permitem.

Entre os motores de que mais se orgulha, Tatsumi destaca os da CB750 Hornet e da XL750 Transalp, chegadas para 2023.
A Honda afinou as 2 saídas de escape para frequências diferentes, criando uma sensação pulsante à medida que o regime sobe.
Segundo o especialista, essa solução teve boa receção entre os motociclistas.

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Perguntas e respostas

Como a Honda escolheu o som da CB750 Hornet?

Na CB750 Hornet, foram experimentadas quase 100 configurações para testar o som, conta Takatoshi Tatsumi.
Os protótipos de escape têm de conciliar som, potência, facilidade de condução, desenho e sensações em andamento.

A Honda usa eletrónica para fabricar o som dos motores?

Os controlos eletrónicos refinam a resposta ao acelerador e a entrega de binário, explica Tatsumi, mas não fabricam o som.
Permitem explorar diferentes facetas do motor, incluindo uma resposta mais agressiva quando as condições ou os modos de condução o permitem.

Fotografia: sala de imprensa da marca, https://hondanews.eu/pt/pt/motorcycles/media/pressreleases/551011/press-kit-honda-cb1000f-2026

Rafaela Mendes

Motociclismo  ·  11 artigos

Testes, motores, quilómetros e mais testes. Num mundo de homens, gosta de sobressair, e percebe de motos e de automóveis como poucos. O tempo livre passa-o com os amigos, entre a praia e os acampamentos. É assim que se define: jovem, mas já com conhecimento.

Colaboradora do Motociclismo. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o Motociclismo, o AutoGear e o M Sports.

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