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8 cilindros em 847 cc, a Morbidelli V8 de que só se fizeram 4

Publicado a 14 de Outubro de 2026, às 18h42  ·  5 min de leitura

Pensada para os anos 90, a Morbidelli V8 juntou um motor de 8 cilindros com 847 cc e 120 cv a uma carroçaria desenhada pela Pininfarina. Só se fizeram 4 unidades, e 2 estão hoje em museus.

O essencial

  • A Morbidelli V8 tinha um motor V8 de 847 cc que, na versão mais tardia, dava 120 cv às 11.000 rpm.
  • A carroçaria foi desenhada pela Pininfarina e depois refinada pela Bimota.
  • Só se fizeram 4 unidades, e 2 estão em museus nos Estados Unidos e em Itália.

Peça-se a um entusiasta um veículo com motor V8 e desenho da Pininfarina e as respostas saem depressa, o Ferrari 308 GTB, o Maserati GranTurismo, talvez o Ferrari F355 Berlinetta. Quase ninguém se lembra de uma moto. Chamou-se Morbidelli V8 e hoje é praticamente desconhecida.

Segundo o HotCars, as motos italianas sempre se distinguiram por duas coisas, o desempenho e o carácter. Durante décadas, a Ducati, a MV Agusta e a Moto Guzzi juntaram engenharia inspirada na competição a um estilo próprio, ao contrário da produção em massa das japonesas. O gosto pela experiência chegou também a marcas mais pequenas, como a Bimota, a CR&S e a Laverda, nem sempre com sucesso comercial.

No fim dos anos 80 e no início dos anos 90, a luta entre superdesportivas estava cada vez mais apertada. Ainda assim, havia espaço para algo verdadeiramente fora do comum.

Uma moto com alma de GT

A Pininfarina dispensa apresentações a quem gosta de automóveis. Do estúdio italiano saíram o Ferrari F40, o Alfa Romeo Giulietta Spider e, mais recentemente, o Pininfarina Battista de 1.867 cv. A fama de juntar eficiência aerodinâmica, sentido prático e dramatismo visual fez dela um parceiro apetecível para Giancarlo Morbidelli, fundador da Morbidelli.

Giancarlo Morbidelli não queria mais uma superdesportiva convencional para os anos 90. Queria uma sport-turismo com a elegância do estilo italiano e a engenharia de um automóvel desportivo italiano, e a Pininfarina entrou no projeto para ajudar a concretizar a ideia.

847 cc e 8 cilindros

Quem pensa em motos com motor V8 lembra-se primeiro da Boss Hoss, a marca americana que mete motores de 6,2 litros num quadro de moto e ainda lhes junta marcha-atrás. A Morbidelli fez o contrário e quis tirar o máximo desempenho de um conjunto muito mais compacto, com o requinte que um mercado global pedia.

O motor tinha apenas 847 cc. Na versão mais tardia dava 120 cv às 11.000 rpm e cerca de 81 Nm de binário, números respeitáveis para um motor que tinha de caber numa moto. Ou melhor, por baixo dela, porque ficava mesmo na parte inferior.

Desenho da Morbidelli V8 dividiu opiniões

A Pininfarina desenhou uma carroçaria de linhas fluidas e totalmente fechada, que dava à V8 um ar diferente de qualquer superdesportiva. O motor ficava à vista e o resto da mecânica escondia-se sob painéis lisos e esculpidos, a pensar na aerodinâmica.

Nem todos gostaram. Onde uns viam beleza, outros viam volume a mais, e a primeira versão, futurista e com dois faróis separados, era no mínimo peculiar. A Morbidelli passou então o desenho à Bimota, para o tornar mais limpo e contido.

O objetivo era acomodar o motor sem prejudicar a estabilidade nem o conforto, já que a moto era em parte uma cruiser. Sem deixar de dar nas vistas, como convinha a uma italiana com V8 e assinatura da Pininfarina.

Um preço de Gran Turismo

O aspeto e a engenharia lembravam um GT italiano, e o preço também. Começou por ser estimado em cerca de 40 000 euros, ao câmbio atual, e terá acabado por subir para cerca de 143 000 euros, um valor muito difícil de justificar.

Porque custa tanto um V8?

Fazer uma moto com motor V8 nunca é fácil nem barato. Arranjar lugar para 8 cilindros já é difícil, e depois há o arrefecimento, a transmissão e o resto da mecânica. Junte-se a carroçaria feita à medida pela Pininfarina e os custos fogem ao controlo.

O preço exorbitante fazia parte da mística da V8, mas colocava-a no território do luxo, onde se espera um desempenho excecional. A ficha técnica não chegava para tanto.

Só 4, e 2 em museus

Conforme a Motociclismo confirmou, a V8 saiu de produção com apenas 4 unidades feitas, quando a empresa foi vendida. Os novos donos trocaram as motos pelas máquinas para trabalhar madeira, uma mudança de rumo no mínimo estranha, e a Morbidelli só voltou a fazer motos em 2024.

Com 4 exemplares, é uma moto raríssima. Desses, 2 estão em museus, um no Barber Vintage Motorsports Museum, no Alabama, nos Estados Unidos, e outro no Museu Morbidelli, em Pesaro, Itália.

Cara e polémica, a V8 foi um fracasso comercial e continua a ser uma das motos mais invulgares alguma vez pensadas. Para quem queria ser um Gran Turismo italiano de duas rodas, acabar em museus e coleções privadas até faz sentido.

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Perguntas e respostas

Quantas Morbidelli V8 foram feitas?

A V8 saiu de produção com apenas 4 unidades feitas, quando a empresa foi vendida. Os novos donos trocaram as motos pelas máquinas para trabalhar madeira.

Que motor tinha a Morbidelli V8?

Um V8 de apenas 847 cc. Na versão mais tardia dava 120 cv às 11.000 rpm e cerca de 81 Nm de binário.

Onde se pode ver uma Morbidelli V8?

Das 4 unidades feitas, 2 estão em museus. Uma está no Barber Vintage Motorsports Museum, no Alabama, nos Estados Unidos, e outra no Museu Morbidelli, em Pesaro, Itália.

Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.morbidelli.com/int-en/about-us

Ficha técnica

Motor
V8
Cilindrada
847 cc
Potencia
120 cv às 11.000 rpm
Binario
Cerca de 81 Nm
Producao
4 unidades

Gustavo Figueira

Motociclismo  ·  5 artigos

É o que se chama uma verdadeira Kill Machine. Ainda está indeciso se gosta mais de motos ou de automóveis: um verdadeiro híbrido. Nada lhe mete medo. O tempo livre gosta de o passar a queimar quilómetros, seja em motos ou em automóveis.

Colaborador do Motociclismo. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o Motociclismo, o AutoGear e o M Sports.

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