O que está a acontecer à MV Agusta e à Ducati?
A MV Agusta entrou em composição negociada da crise, com a fábrica de Schiranna praticamente parada há meses e 184 trabalhadores em apoio salarial parcial. No mesmo mês, a Ducati ficou dentro da revisão de participações do grupo Volkswagen e a Piaggio anunciou a margem mais alta da sua história.
O essencial
- A MV Agusta tem a produção parada há meses e 184 trabalhadores em apoio salarial, com prazo até 25 de novembro para um acordo com os credores.
- A Ducati faturou 925 milhões de euros em 2025 e está na revisão de participações da Volkswagen, com uma oferta não vinculativa de 2,5 mil milhões da PatrItalia.
- A Piaggio vendeu 258 700 veículos no primeiro semestre, mais 8,5%, mas o volume de negócios das duas rodas caiu 4,7%.
O retrato conjunto é da Motorbox, que reuniu os três dossiês no mesmo balanço. Schiranna está sem produzir, a Ducati caiu numa revisão de participações decidida pelo grupo Volkswagen e a Piaggio fechou o semestre com as melhores contas de sempre.
MV Agusta sem produzir há meses
A empresa confirmou em comunicado que atravessa dificuldades operativas, industriais e financeiras e que obteve acesso à composição negociada da crise, o procedimento italiano para empresas em desequilíbrio temporário. A produção em Schiranna está praticamente parada há meses, por faturas por pagar a fornecedores, e 184 trabalhadores estão em apoio salarial parcial, segundo a Motorbox. O prazo para um acordo com os credores termina a 25 de novembro de 2026.
O paradoxo está nas vendas. No primeiro semestre de 2026 a marca registou 2166 matrículas no mundo, mais 3,4% do que as 2094 do mesmo período de 2025, com a Itália a crescer 28,8%, a França 42,3% e os Estados Unidos 24,2%, números da própria MV Agusta. O que falhou foi o dinheiro: o aumento de capital de 35 milhões de euros prometido para a primavera de 2026 nunca chegou e as negociações com a CFMOTO acabaram por cair, como o Motociclismo contou quando o acordo começou a desfazer-se. A marca continua nas mãos da holding luxemburguesa Art of Mobility, da família Sardarov.
Quanto vale a Ducati
A Ducati entregou cerca de 51 000 motos em 2025, com 925 milhões de euros de receita e uma margem operacional de 5,6%, segundo a Motorbox. O grupo Volkswagen está a rever cerca de 600 das mais de 2000 participações que detém, e Gernot Döllner, presidente executivo da Audi, confirmou que a marca de Borgo Panigale faz parte dessa avaliação. Não há decisão tomada.
Os valores que circulam vão de 1,25 mil milhões de euros, a estimativa dos analistas citados pela Motorbox, aos 2,5 mil milhões que o fundo italiano PatrItalia ofereceu pela totalidade do capital. O mesmo fundo quer comprar também a MV Agusta. A proposta não é vinculativa e a Volkswagen nunca a analisou formalmente, num dossiê que o Motociclismo acompanha desde que a Ducati garantiu que não está à venda.
Os números reais da Piaggio
A Piaggio vendeu 258 700 veículos no mundo no primeiro semestre, mais 8,5% do que os 238 400 do ano anterior, dos quais 185 600 de duas rodas, segundo o comunicado do grupo de 28 de julho. As vendas líquidas consolidadas foram de 880,1 milhões de euros a câmbios constantes e o resultado operacional bruto (EBITDA) chegou aos 148,6 milhões, uma margem de 17,7%, a mais alta de sempre na empresa.
O outro lado dos mesmos resultados está nas duas rodas, cujo volume de negócios caiu 4,7%, para 652,8 milhões de euros. Cerca de 3000 trabalhadores do grupo estão abrangidos por regimes de apoio salarial, com o contrato de solidariedade assinado em julho a vigorar até 31 de outubro de 2026, refere a Motorbox. “Pelo segundo trimestre consecutivo, o Grupo Piaggio registou um aumento das vendas de veículos no mundo”, disse Michele Colaninno, administrador delegado do grupo.
A 3 de setembro abriu em Mandello del Lario a nova fábrica e o museu da Moto Guzzi, com mais de 50 milhões de euros investidos em cinco anos. A área passa de 30 000 para 38 000 metros quadrados, com capacidade para 30 000 motos por ano.
A próxima data marcada é 25 de novembro, o prazo para a MV Agusta chegar a acordo com os credores. Sobre a Ducati, a Volkswagen não anunciou quando conclui a revisão da carteira de participações.
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Perguntas e respostas
O que está a acontecer à MV Agusta e à Ducati?
A MV Agusta entrou em composição negociada da crise, com a produção parada há meses e 184 trabalhadores em apoio salarial parcial. A Ducati está dentro da revisão de participações do grupo Volkswagen, sem decisão tomada. No mesmo período, a Piaggio cresceu 8,5% em volume, mas viu as vendas de duas rodas caírem 4,7%.
A MV Agusta vai fechar?
A marca não o disse. Em comunicado, admitiu dificuldades operativas, industriais e financeiras e lembrou que a composição negociada da crise pressupõe perspetivas concretas de recuperação. A empresa tem até 25 de novembro de 2026 para chegar a acordo com os credores.
Quanto vale a Ducati?
Os analistas citados pela Motorbox apontam para 1,25 mil milhões de euros. O fundo italiano PatrItalia ofereceu 2,5 mil milhões por 100% do capital, numa proposta não vinculativa que a Volkswagen não analisou formalmente. Em 2025, a marca de Borgo Panigale faturou 925 milhões de euros.
Ficha técnica
- MV Agusta - Matrículas 2026 H1
- 2166 (+ 3,4%)
- Ducati - Receita 2025
- 925 milhões de euros
- Ducati - Motos entregues 2025
- Cerca de 51 000
- Ducati - Margem operacional
- 5,6%
- Piaggio - Veículos vendidos H1 2026
- 258 700 (+ 8,5%)
- Piaggio - Volume negócios duas rodas
- 652,8 milhões de euros (- 4,7%)
- Piaggio - EBITDA
- 148,6 milhões (margem 17,7%)
- Moto Guzzi - Nova fábrica investimento
- Mais de 50 milhões de euros
Motociclismo · 409 artigos
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