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Marcado na Arábia Saudita, o Dakar 2027 terá 2 planos em estudo

Publicado a 15 de Outubro de 2026, às 15h15  ·  6 min de leitura

O Dakar 2027 continua marcado de 1 a 15 de janeiro na Arábia Saudita, mas a ASO estará a estudar uma rota mais a norte e um plano B de 8 dias em Marrocos. Em setembro chegou a falar-se de um percurso por Espanha, Portugal e Marrocos, e as equipas precisam de uma decisão antes de embarcar os veículos em Barcelona.

O essencial

  • A ASO mantém o Dakar 2027 marcado de 1 a 15 de janeiro na Arábia Saudita, com partida e chegada em King Abdullah Economic City.
  • Segundo a Reuters, a organização estuda uma rota mais a norte no país, com menos bivouacs.
  • Os diários espanhóis Marca e AS falam de um plano B de 8 dias em Marrocos, a começar a 8 de janeiro.

O Dakar 2027 já foi cancelado, empurrado para norte e levado para Marrocos, tudo em poucas semanas e tudo em rumores. Oficialmente nada mudou, mas a cerca de 11 semanas da partida há muitas perguntas em aberto para as equipas oficiais e para os privados, de acordo com o Motorcycles.News.

Ainda está marcado?

Conforme a Motociclismo confirmou, a Amaury Sport Organisation (ASO) não cancelou nem adiou o Dakar 2027. A prova continua marcada de 1 a 15 de janeiro, com partida e chegada em King Abdullah Economic City, junto ao mar Vermelho. Em setembro, a organização garantiu que “os rumores sobre um possível cancelamento são infundados”.

Desde então, a situação mudou. A 8 de outubro, a Reuters noticiou, com base em 3 pessoas ligadas ao Mundial de Rally-Raid, que a organização trabalha numa rota alternativa para manter a prova na Arábia Saudita. A ASO, a FIA e a FIM não responderam de imediato.

Porque está em risco

Na origem estão os ataques dos Houthis, a milícia do Iémen alinhada com o Irão, contra cidades, aeroportos e instalações energéticas sauditas. No início de outubro, segundo a própria milícia, atacaram o aeroporto King Khalid, em Riade, e uma refinaria da Aramco a cerca de 50 km de King Abdullah Economic City. O Reino Unido já atualizou os conselhos de viagem para partes do país.

O percurso não passa por Riade nem segue a fronteira com o Iémen, mas algumas etapas do sul ficam na região dos alvos. Outras competições já mexeram no calendário. O Mundial de Ralis cancelou a final de novembro em Jeddah e a Fórmula 1 deixou cair a Arábia Saudita e o Bahrein, enquanto o Grande Prémio do Qatar de MotoGP passou de abril para novembro.

Norte saudita ou Marrocos?

A ASO terá 2 planos em estudo e não confirmou nenhum. O preferido, segundo a Reuters, é uma rota mais a norte, com menos bivouacs, os acampamentos onde as equipas dormem e reparam as máquinas. Os diários espanhóis Marca e AS acrescentam que ficaria bem longe do Iémen, com os bivouacs perto de cidades maiores e mais cobertura médica.

O plano B, segundo os mesmos jornais, é um Dakar de apenas 8 dias em Marrocos, em vez de 15, a começar a 8 de janeiro. Em setembro chegou a falar-se de uma rota por Espanha, Portugal e Marrocos. Uma prova mais curta mudaria muito o carácter desportivo do Dakar, e a decisão cabe ao diretor da prova, David Castera, e à ASO.

Sem seguro ninguém viaja

Os seguros são um dos maiores obstáculos. Heinz Kinigadner, conselheiro da KTM, disse à Speedweek que, pessoalmente, espera um cancelamento. Com avisos de viagem, explicou, as seguradoras retiram-se e várias centenas de pessoas ficariam sem cobertura, uma responsabilidade que nenhum organizador poderia assumir. O transporte pelo Suez e pelo mar Vermelho também encareceu, com prémios mais altos para os navios em zonas de risco.

Segundo a Motor16, a KTM pressiona há semanas por uma decisão rápida. Fontes do paddock dizem que a Toyota e a KTM não mandam as equipas se os governos desaconselharem a viagem. Haverá equipas a atrasar de propósito a inscrição, e alguns privados nem se inscreveram, por razões de segurança.

O presidente da FIM, Jorge Viegas, disse ao AS que “No es fácil, no es nada fácil”, a pensar nas regras internas das empresas e na segurança de pilotos e mecânicos. Do outro lado está Nasser Al-Attiyah, 5 vezes vencedor do Dakar, que garante que “El Dakar se celebrará en Arabia Saudí” e lembra que quem decide é a ASO, como organizador privado, e não a FIA.

As datas que contam

As inscrições fecham a 20 de outubro. Depois da verificação técnica, a 27 e 28 de novembro, os veículos seguem de ferry a partir de Barcelona, e até lá as equipas precisam de saber para onde vão. O Dakar devia abrir a época de 2027 do Mundial de Rally-Raid, e uma mudança obrigaria a refazer o calendário.

Entretanto, a Africa Eco Race confirmou a 18.ª edição, de 24 de janeiro a 6 de fevereiro, entre Tânger e Dakar, e algumas equipas terão preferido inscrever-se lá. Um Dakar de 8 dias em Marrocos acabaria antes dessa partida.

O que estava previsto no Dakar 2027

Seria a 49.ª edição e a 8.ª seguida na Arábia Saudita, com 5.320 km de especiais, mais do que qualquer edição desde a chegada ao país, em 2020. O máximo anterior eram 4.903 km, em 2025. O percurso, apresentado em maio, trazia 3 etapas novas na região do mar Vermelho, mais areia, menos pedra e uma etapa maratona.

Já houve um Dakar cancelado?

Uma vez. Em 2008 a prova foi anulada por ameaças terroristas na Mauritânia, e no ano seguinte mudou-se para a América do Sul. Na Arábia Saudita, antes do Dakar 2022, explodiram um automóvel e um camião, a segurança foi reforçada e a corrida chegou ao fim.

A diferença está no relógio. Em 2008 houve um ano inteiro para levar o Dakar para outro continente, e agora faltam cerca de 11 semanas.

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Perguntas e respostas

O Dakar 2027 vai ser cancelado?

Para já não. A ASO não cancelou nem adiou a prova e garantiu em setembro que os rumores sobre um possível cancelamento são infundados. Segundo a Reuters, a organização trabalha numa rota alternativa para manter a prova na Arábia Saudita.

Qual é o plano B do Dakar 2027?

Segundo os diários espanhóis Marca e AS, é um Dakar de apenas 8 dias em Marrocos, em vez de 15, a começar a 8 de janeiro. A ASO não confirmou nenhum dos 2 planos em estudo.

Já houve um Dakar cancelado?

Uma vez. Em 2008 a prova foi anulada por ameaças terroristas na Mauritânia, e no ano seguinte mudou-se para a América do Sul.

Duarte Chaves

Motociclismo  ·  5 artigos

Recebeu a primeira moto, uma KTM, do avô, quando tinha 19 anos, e ainda a tem. Agora está a descobrir os automóveis. Ainda muito jovem, continua a aperfeiçoar o que sabe sobre este mundo, mas a paixão, essa, já a tem toda. Nos tempos livres gosta de surfar.

Colaborador do Motociclismo. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o Motociclismo, o AutoGear e o M Sports.

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