Portugal não tira o pé do acelerador, consumo de gasolina sobe 4,7%
O consumo de combustíveis rodoviários em Portugal subiu 1,7% nos 12 meses até julho de 2026, para 5,986 milhões de toneladas, segundo dados da DGEG compilados pela associação ZERO. O consumo de gasolina, o combustível das motos, cresceu 4,7%.
O essencial
- Portugal consumiu 5,986 milhões de toneladas de combustíveis rodoviários nos 12 meses até julho de 2026, mais 1,7%, segundo dados da DGEG compilados pela ZERO.
- O consumo de gasolina subiu 4,7%, o de gasóleo 0,7% e o de GPL 14,3% no mesmo período.
- O tráfego nas principais estradas analisadas pelo IMT cresceu 3% no primeiro semestre de 2026, para 13,2 mil milhões de veículos-quilómetro.
Os números são da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e foram reunidos pela associação ZERO, num comunicado de 22 de setembro. No ano terminado em julho, o gasóleo subiu 0,7%, para 4,532 milhões de toneladas. A gasolina cresceu 4,7%, para 1,386 milhões de toneladas, e o GPL 14,3%, para 68 mil toneladas.
A DGEG publica estas estatísticas todos os meses. No site da DGEG, o Motociclismo confirmou que a edição de julho, a n.º 252, saiu a 31 de agosto. Os valores por combustível deste artigo são os que a ZERO atribui à DGEG, com dados até julho.
Porque sobe o consumo de combustíveis
O tráfego é a primeira explicação. No primeiro semestre de 2026 percorreram-se 13,2 mil milhões de veículos-quilómetro nas principais estradas analisadas pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), segundo a ZERO. Um ano antes tinham sido 12,8 mil milhões.
A diferença é de 388 milhões de veículos-quilómetro, ou 3%. Na prática, abastece-se mais porque se anda mais.
As outras causas apontadas pela ZERO
A associação aponta o turismo. Portugal recebeu 15,1 milhões de hóspedes no primeiro semestre, mais 2,1% do que em 2025. Segundo a ZERO, isso põe a circular mais viaturas de aluguer, táxis, TVDE e autocarros turísticos.
O comunicado junta mais três razões. São o congestionamento, o envelhecimento do parque e a dispersão residencial, que a associação liga ao preço da habitação e que obriga a viagens mais longas. A ZERO admite que, sem informação atualizada, não consegue medir o peso de cada uma. São leituras da associação, e não as conclusões de um estudo oficial.
O peso dos elétricos ainda é pequeno. A ZERO estima, com dados da DGEG, do IMT e da MOBI.e, que se façam por ano 94 mil milhões de quilómetros em veículos de combustão e três mil milhões em veículos totalmente elétricos.
Quanto subiram os preços?
O comunicado da ZERO não dá um preço médio por litro em Portugal. O único número de preços que cita vem do Eurostat e é europeu. Em julho de 2026, os combustíveis e lubrificantes para transporte pessoal na União Europeia custavam mais 16,9% do que um ano antes.
É uma média da União Europeia, que não se aplica diretamente aos postos portugueses. Num horizonte mais longo, o Motociclismo já tinha calculado que os combustíveis em Portugal subiram mais de 160% em 30 anos.
O que se sabe sobre as motos
Estes dados não separam as motos. Os números da gasolina citados pela ZERO juntam todos os veículos que a usam, e o comunicado não fala de motos nem de scooters.
Por isso, estes dados não permitem dizer quanto do aumento de 4,7% na gasolina vem das duas rodas, nem quanto pesa o combustível no orçamento de quem anda de moto.
O que propõe a ZERO
A associação é contra uma descida generalizada dos impostos sobre os combustíveis. Pelas contas da ZERO, um desconto de dez cêntimos custaria ao Estado cerca de 730 milhões de euros por ano. Em alternativa, propõe dar 150 euros a um milhão de agregados vulneráveis, uma medida de 150 milhões de euros.
Os próximos números da DGEG

Quando este artigo foi escrito, a edição de julho era a mais recente na página das estatísticas da DGEG. Os dados de agosto ainda não tinham sido publicados.
Leia também
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Perguntas e respostas
Porque sobe o consumo de combustíveis em Portugal com os preços mais altos?
Porque se anda mais. Segundo a ZERO, com dados do IMT, o tráfego nas vias analisadas cresceu 3% no primeiro semestre de 2026. A associação aponta ainda o turismo, o congestionamento, o envelhecimento do parque e a dispersão residencial, mas não consegue medir o peso de cada causa.
Quanto subiu o consumo de gasolina e de gasóleo em Portugal?
Nos 12 meses até julho de 2026, o consumo de gasolina subiu 4,7%, para 1,386 milhões de toneladas, e o de gasóleo 0,7%, para 4,532 milhões de toneladas. São dados da DGEG compilados pela associação ZERO. O total dos combustíveis rodoviários cresceu 1,7%.
Estes dados dizem quanto combustível gastam as motos em Portugal?
Não. Os dados da gasolina citados pela ZERO juntam todos os veículos, e o comunicado não fala de motos. Com estes números não se sabe que parte do aumento vem das duas rodas.
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