A Honda RC213V-S trocou a caixa seamless por uma convencional de 6 velocidades
A Honda RC213V-S de 2015 levou a base da campeã de MotoGP à estrada, com 159 cv na especificação europeia.
Para o conseguir, a marca trocou as válvulas pneumáticas e a caixa seamless, além de acrescentar iluminação, espelhos e matrícula.
O essencial
- O V4 de 999 cc tinha 159 cv na especificação europeia de estrada.
- As válvulas pneumáticas deram lugar a molas e a caixa seamless foi substituída por uma transmissão convencional.
- O kit exclusivo para circuito elevava a potência para mais de 215 cv e reduzia o peso a seco para 160 kg.
Uma moto de MotoGP precisa de mais do que uma matrícula para circular na estrada. No comunicado de 11 de junho de 2015, a Honda explicou como adaptou a RC213V, campeã em 2013 e 2014, à utilização rodoviária.
A prioridade da RC213V-S, segundo apurou a Motociclismo no documento original, era reproduzir a configuração e as sensações de condução da RC213V. A Honda procurou preservar a concentração de massas, o baixo atrito, a leveza, a precisão de fabrico e as tecnologias de controlo da moto de competição.
Honda RC213V-S em números

Na ficha europeia, a Honda indicava um V4 de 999 cc, refrigerado a líquido, com 159 cv às 11.000 rpm e 102 Nm às 10.500 rpm. O peso a seco era de 170 kg, o depósito tinha 16,3 litros e o assento ficava a 830 mm do solo. A moto tinha lugar apenas para o condutor.
Com o kit desportivo opcional, exclusivo para circuitos fechados, a marca anunciava mais de 215 cv às 13.000 rpm e mais de 118 Nm às 10.500 rpm. O peso a seco descia para 160 kg. A Honda apresentava estes números como valores de referência, com algumas dimensões sujeitas às afinações permitidas pelo kit.
O que mudou no motor

Por razões de manutenção, a Honda substituiu o sistema pneumático das válvulas por molas helicoidais, mas manteve o acionamento das árvores de cames por engrenagens. A caixa seamless deu lugar a uma transmissão convencional de 6 velocidades. Estas soluções seguiam as especificações da RCV1000R, a moto de competição comercializada para a categoria Open.
A ficha técnica indicava ainda embraiagem multidisco a seco, injeção eletrónica e uma taxa de compressão de 13,0. Segundo a Honda, a facilidade de condução orientava o projeto, por considerar que uma moto rápida precisava de ser fácil de manobrar.
Luzes, travões e direção

Para circular na estrada, a RC213V-S recebeu farol, farolim, iluminação e suporte de matrícula, piscas dianteiros e traseiros e espelhos dos 2 lados. A Honda acrescentou velocímetro, escape com catalisador, buzina, sistema Honda Smart Key, motor de arranque e descanso lateral.
O ângulo de viragem da direção aumentou de 15 para 26 graus. A adaptação incluiu pneus Bridgestone RS10, discos dianteiros de aço inoxidável da Yutaka Giken e pastilhas Brembo. As medidas dos pneus eram 120/70 à frente e 190/55 atrás, em jantes de 17 polegadas.
Mais comprida que a RC213V
Na comparação publicada pela Honda, o comprimento aumentava de 2.052 para 2.100 mm e a distância entre eixos passava de 1.435 para 1.465 mm. A versão de estrada tinha 120 mm de altura ao solo, contra 115 mm da RC213V. A travagem tinha 2 discos à frente e 1 atrás, e a suspensão traseira era Pro-Link.
As especificações variavam entre mercados. A ficha francesa indicava 102 cv, a japonesa 70 cv e a norte-americana cerca de 102 cv. A versão australiana acompanhava os 159 cv da europeia, enquanto o kit de circuito não estava disponível nos Estados Unidos.
Uma história anterior ao MotoGP
No mesmo comunicado, a Honda recordava a intenção de disputar o TT da Ilha de Man, anunciada em 1954. A estreia aconteceu em 1959 e, em 1961, a marca venceu nas 2 classes em que participou. A Honda contabilizava 600 vitórias em 2005 e 695 à data de 11 de junho de 2015.
A marca apresentava a RC213V-S como um passo além da transferência habitual de tecnologia das corridas para modelos de série. Para esta adaptação da sua moto de MotoGP, o início das candidaturas a encomenda estava marcado para 13 de julho de 2015.
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Perguntas e respostas
O que mudou na Honda RC213V-S para circular na estrada?
A Honda substituiu o sistema pneumático das válvulas por molas helicoidais e a caixa seamless por uma transmissão convencional de 6 velocidades.
Acrescentou iluminação, espelhos, suporte de matrícula, escape com catalisador, buzina, motor de arranque e descanso lateral.
Qual era a potência da Honda RC213V-S?
Na ficha europeia, a Honda indicava 159 cv às 11.000 rpm e 102 Nm às 10.500 rpm.
Com o kit exclusivo para circuitos fechados, anunciava mais de 215 cv às 13.000 rpm.
Quanto pesava a Honda RC213V-S?
O peso a seco era de 170 kg na especificação europeia de estrada.
Com o kit desportivo opcional, descia para 160 kg.
Ficha técnica
- Motor
- V4 de 999 cc, refrigerado a líquido
- Potencia
- 159 cv às 11.000 rpm (especificação europeia)
- Binario
- 102 Nm às 10.500 rpm
- Transmissao
- Convencional de 6 velocidades
- Peso
- 170 kg a seco (especificação europeia)
- Assento
- 830 mm do solo
- Deposito
- 16,3 litros
- Rodas
- 120/70 à frente e 190/55 atrás em jantes de 17 polegadas
Motociclismo · 14 artigos
Diz que a sua maior paixão ainda é o ténis. Mas escreve como poucos, e estuda como poucos o mercado das motos e dos automóveis: descobriu que tem mais do que um amor. Nos tempos livres tenta sair um bocadinho do mundo das motos e dos automóveis e voltar ao ténis. Mas já lá vai poucas vezes.
Colaborador do Motociclismo. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o Motociclismo, o AutoGear e o M Sports.
