Motos personalizadas não se distinguem só pelo aspeto
O guia publicado a 20 de outubro distingue 6 estilos de motos personalizadas pelas origens, alterações e posição de condução.
Conhecer as diferenças ajuda a escolher um projeto pelo uso pretendido, sem confundir aparência com capacidade.
O essencial
- A capacidade de uma scrambler fora do asfalto depende da suspensão, pneus, travões e peso.
- O brat style nasceu do trabalho de Go Takamine numa oficina de Tóquio.
- As alterações à geometria de uma chopper podem afetar direção, estabilidade e travagem.
Um escape alto não basta para transformar uma moto numa scrambler capaz de enfrentar terra.
O guia da Return of the Cafe Racers distingue 6 estilos pelas origens, características e utilização, com diferenças que vão além da aparência.
Estas categorias, segundo a Motociclismo apurou no guia, não têm fronteiras rígidas.
Quem personaliza motos combina frequentemente elementos de várias tradições, pelo que a escolha deve começar pela utilização pretendida.
Scrambler para asfalto e terra
A scrambler nasceu da adaptação de motos de estrada a caminhos de terra.
O termo liga-se às competições britânicas de todo-o-terreno do início do século XX e ganhou expressão nos Estados Unidos nos anos 50 e 60.
Segundo o guia, escape alto, maior altura ao solo, guiador largo, jantes raiadas e pneus mistos ou de tacos são características habituais.
Depósitos pequenos e assentos planos completam o conjunto, mas a capacidade fora do asfalto depende da suspensão, pneus, travões e peso.
Café racer com postura desportiva
A café racer remonta à Grã-Bretanha dos anos 50 e 60, quando motociclistas se reuniam em locais como o Ace Cafe, em Londres.
A ambição era melhorar a aceleração e o comportamento, com os cerca de 161 km/h como referência cultural.
O guia identifica depósito alongado, guiador de avanços baixo, poisa-pés recuados e cobertura traseira do assento, por vezes acompanhados de carenagem.
A postura pode sobrecarregar pulsos, ombros e costas, e a aparência desportiva não garante maior rapidez do que a moto original.
Bobber com menos peças
A bobber tem raízes na personalização americana e na prática de encurtar componentes, sobretudo guarda-lamas.
Instrumentação reduzida, iluminação simples e pouca carroçaria deixam o motor, o quadro e as rodas mais expostos.
O assento individual baixo é habitual, por vezes com molas, mas o guia esclarece que nem todas dispensam suspensão traseira.
Algumas admitem passageiro, enquanto alterações radicais ao quadro, suspensão ou pneus podem comprometer segurança e conforto.
Brat style nascida em Tóquio
O brat style nasceu do trabalho de Go Takamine e da sua oficina Brat Style, em Tóquio.
Mistura influências de café racers, scramblers e trackers, com uma posição de condução mais descontraída.
Segundo o guia, distingue-se pelo assento plano, que pode acomodar passageiro, guarda-lamas curtos, acabamentos escuros e pouco cromado.
O depósito pode ser original ou mais pequeno, os guiadores variam e muitas construções conservam o quadro e a suspensão originais.
Street tracker com inspiração competitiva
A street tracker leva para a estrada a imagem das motos de flat track, disciplina disputada em pistas ovais de terra ou argila.
Guiador largo, depósito estreito, assento alto e traseira elevada definem as proporções descritas no guia.
São frequentes jantes de diâmetros semelhantes, com 18 ou 19 polegadas nas configurações tradicionais.
A posição direita favorece o uso urbano, mas a aptidão para gravilha depende da construção, e os travões, luzes e espelhos continuam necessários para a estrada.
Chopper com alterações profundas
A chopper afirmou-se nos Estados Unidos nos anos 60, com forquilhas compridas, coluna de direção muito inclinada e quadros alongados.
Guiadores altos, depósitos pequenos, cromados e motores bicilíndricos em V marcam a imagem tradicional.
O guia descreve também assentos baixos, comandos dos pés avançados e construções com ou sem suspensão traseira.
A geometria alterada pode afetar direção, estabilidade, travagem e manobrabilidade, sem que a posição descontraída garanta conforto em viagens longas.
Como escolher motos personalizadas
A recomendação do guia é começar pelo uso e pela moto de base, considerando quadro, motor, suspensão e disponibilidade de peças.
A posição do guiador, dos poisa-pés e do assento influencia conforto e controlo, enquanto o fabrico de componentes e a manutenção podem ultrapassar o orçamento previsto.
Antes de avançar, o guia recomenda verificar a compatibilidade mecânica e o cumprimento das regras aplicáveis a iluminação, espelhos, travões, ruído, emissões e alterações estruturais.
Uma forquilha mais comprida muda a silhueta, mas também pode mudar a resposta da direção.
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Perguntas e respostas
Motos personalizadas e como distinguir os 6 estilos?
O guia distingue os estilos pelas origens, características e utilização, com diferenças que vão além da aparência.
As categorias não têm fronteiras rígidas, e quem personaliza motos combina frequentemente elementos de várias tradições.
Uma café racer é mais rápida do que a moto original?
A aparência desportiva não garante maior rapidez do que a moto original.
A postura pode sobrecarregar pulsos, ombros e costas.
Todas as bobbers dispensam suspensão traseira?
Nem todas dispensam suspensão traseira.
O assento individual baixo é habitual, por vezes com molas, e algumas admitem passageiro.
Motociclismo · 12 artigos
É o que se chama uma verdadeira Kill Machine. Ainda está indeciso se gosta mais de motos ou de automóveis: um verdadeiro híbrido. Nada lhe mete medo. O tempo livre gosta de o passar a queimar quilómetros, seja em motos ou em automóveis.
Colaborador do Motociclismo. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o Motociclismo, o AutoGear e o M Sports.
