Ducati admite que o Dakar é um desafio que continua a despertar interesse, mas Claudio Domenicali garante que a participação na prova não faz parte dos planos imediatos da marca. Antes disso, a fabricante italiana quer fortalecer o seu projeto fora de estrada, com destaque para o motocross e o enduro.
Desde que Ducati anunciou a entrada no mundo do off-road, uma das maiores curiosidades dos adeptos tem sido perceber se a marca de Borgo Panigale irá seguir o caminho de outros fabricantes e participar no Rally Dakar, a competição de todo-o-terreno mais exigente e mediática do mundo. A resposta, para já, mantém-se inalterada: a possibilidade não está descartada, mas também não representa uma prioridade a curto prazo.
Foi o próprio Claudio Domenicali, CEO da Ducati, quem esclareceu a posição da marca durante recentes declarações, explicando que o Dakar é um desafio apelativo, mas que a empresa prefere avançar de forma faseada. “Tentamos não abrir demasiadas frentes, porque quando fazemos algo temos de fazê-lo bem”, afirmou o responsável máximo da Ducati.
Ducati quer primeiro consolidar a aposta no off-road
A estratégia da Ducati passa atualmente por construir uma base sólida no motocross e no enduro, áreas onde a marca ainda está numa fase inicial de desenvolvimento. Para Domenicali, não basta criar novas motos: é necessário adquirir conhecimento, compreender melhor as exigências dos pilotos e desenvolver uma estrutura competitiva capaz de acompanhar o crescimento do projeto.
“Estamos em constante aprendizagem. Não se trata apenas de tecnologia, mas também de afinação, experiência e compreensão das diferentes condições e dos pilotos. Antes de abrir uma nova frente, queremos terminar bem aquilo que começámos”, explicou.
A entrada da Ducati no off-road começou oficialmente em 2025 com a apresentação da Desmo450 MX, a primeira moto de motocross da marca. Pouco depois, a família cresceu com a Desmo450 EDS, destinada ao enduro, e com a nova Desmo250 MX. A futura Desmo450 SM, orientada para o supermotard, deverá completar esta expansão no final deste ano.
O próximo grande passo também não será o Dakar. Antes disso, Ducati pretende reforçar a sua presença no Campeonato do Mundo de Enduro, onde prepara um programa oficial de competição para 2027. Para a marca italiana, esta é a evolução natural depois da estreia no Mundial de Motocross.
O Dakar continua possível, mas não é uma prioridade
Apesar de afastar uma participação imediata no Dakar, Claudio Domenicali deixou claro que a porta continua aberta para o futuro. “Somos apaixonados pelas corridas e pelas motos, por isso nunca digas nunca. Mas antes de abrir uma nova frente, preferimos concentrar-nos naquilo que já estamos a fazer”, afirmou.
A Ducati acredita que o crescimento da sua divisão off-road está a seguir o caminho esperado. Segundo Domenicali, os primeiros resultados comerciais são positivos, com os Estados Unidos a assumirem-se como o mercado mais importante para estes modelos. A Austrália também tem demonstrado uma forte resposta, enquanto na Europa os resultados variam consoante o país.
O responsável italiano destacou ainda que o sucesso neste segmento não depende apenas do desenvolvimento das motos. Para conquistar uma posição sólida no motocross e enduro, Ducati considera essencial obter resultados em competição e criar uma rede especializada de concessionários e assistência técnica capaz de acompanhar os clientes.
Por enquanto, Ducati mantém o plano definido desde o início da sua aventura fora do asfalto. O Dakar continua a ser uma possibilidade para o futuro, mas a prioridade passa por transformar o projeto Desmo numa presença competitiva e sustentável no motocross e no enduro antes de enfrentar o maior desafio do rally raid mundial.


