Ultraviolette abre a sua escola de condução a motos a gasolina para conquistar novos clientes

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A Ultraviolette abriu a sua nova Riding Academy na Índia a todos os motociclistas, incluindo quem utiliza motos com motor de combustão, numa estratégia que coloca potenciais futuros clientes de motos elétricas diretamente no universo da marca.

A forma de vender motos pode assumir muitas formas, mas a Ultraviolette encontrou uma abordagem pouco habitual para um fabricante exclusivamente dedicado a modelos elétricos. A nova Riding Academy da marca, na Índia, não está reservada aos proprietários de Ultraviolette nem sequer exige que os participantes conduzam uma moto elétrica. Quem aparecer com uma moto equipada com motor de combustão também é bem-vindo.

A academia reúne os programas Track Attack e Into the Wild, criando uma estrutura de formação que abrange condução em circuito e condução fora de estrada. O objetivo é proporcionar uma aprendizagem progressiva através de três níveis de certificação, começando pelas bases e avançando para técnicas mais exigentes à medida que os participantes demonstram domínio das competências necessárias.

No Track Attack, a formação centra-se na condução desportiva em circuito e aborda aspetos como escolha das trajetórias, pontos de travagem, entrada e saída das curvas, controlo do acelerador, posicionamento do corpo, ultrapassagens e comportamento em pista. Já o Into the Wild é direcionado para a condução fora de estrada, trabalhando equilíbrio, posicionamento do corpo, pisos de baixa aderência, curvas em terra, transposição de obstáculos, recuperação da moto e condução responsável em trilhos.

Os dois programas estão organizados em três níveis. O Level 1 estabelece os fundamentos, enquanto os Level 2 e Level 3 aprofundam progressivamente as técnicas de condução. A passagem entre níveis está sujeita a avaliações, criando uma estrutura mais próxima de uma formação efetiva do que de um simples evento promocional.

A abertura da academia a motos de outras marcas é, no entanto, o elemento mais interessante da estratégia. Um proprietário de uma KTM Duke, Kawasaki Ninja, Royal Enfield Himalayan, Yamaha MT ou de praticamente qualquer outra moto pode participar na formação. Para a Ultraviolette, isso significa colocar a marca em contacto direto com motociclistas que ainda não fazem parte do universo das motos elétricas.

Naturalmente, existe aqui uma componente de marketing. As escolas de condução, os eventos para clientes, os dias de circuito e as experiências de aventura são ferramentas eficazes para criar comunidades em torno de uma marca. Uma comunidade mais forte pode gerar maior fidelização e, posteriormente, novas compras. Neste caso, a diferença está em a Ultraviolette não se limitar a falar para quem já comprou uma moto elétrica.

A estratégia ganha ainda mais sentido porque a marca dispõe atualmente de produtos que podem ser apresentados nesse contexto. A F77 Mach 2 é uma desportiva elétrica com cerca de 40 cv, concebida para oferecer prestações comparáveis às de uma moto de menor cilindrada com motor de combustão, e inclui um modo de condução de elevada performance denominado Ballistic.

No outro lado da academia encontra-se a X-47 Crossover, mais alinhada com o conceito do programa Into the Wild. A X-47 Recon desenvolve 40,2 cv e pode atingir cerca de 145 km/h, contando ainda com controlo de tração, diferentes níveis de travagem regenerativa e os modos de condução Glide, Combat e Ballistic.

Existe, assim, uma ligação direta entre a formação e a gama da Ultraviolette. A marca pode receber um motociclista numa moto de combustão para uma sessão de circuito ou de condução fora de estrada e, sem lhe pedir que abandone imediatamente a sua moto atual, mostrar-lhe aquilo que os seus próprios modelos conseguem fazer.

É precisamente aí que a estratégia se torna particularmente interessante. Em vez de tentar convencer diretamente um motociclista a abandonar o motor de combustão e a adotar uma moto elétrica, a Ultraviolette começa por criar uma experiência positiva em torno da própria condução. O participante pode chegar à Riding Academy numa moto de outra marca e sair simplesmente com uma opinião mais favorável sobre a Ultraviolette e os seus produtos.

Para uma indústria elétrica que ainda procura conquistar muitos dos motociclistas habituados às motos convencionais, esta pode ser uma forma bastante mais subtil de aproximação. Em vez de vender primeiro a tecnologia elétrica, a Ultraviolette está a vender aquilo que todos os motociclistas já conhecem: a vontade de andar de moto.

Imagens: RideApart

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