Marco Bezzecchi atravessou o momento mais complicado da sua carreira em MotoGP, ao somar três Grandes Prémios consecutivos sem qualquer ponto, perdendo assim o comando do Mundial para Jorge Martín. A queda em Assen, à segunda volta, fechou um mês de Junho marcado por acidentes, polémicas e sanções, deixando o piloto da Aprilia visivelmente abalado e a precisar de reagrupar forças.
No rescaldo do Grande Prémio dos Países Baixos, disputado no emblemático Circuito de Assen, Jorge Martín (Ducati) consolidou a liderança do campeonato ao terminar em terceiro, alcançando agora 7 pontos de vantagem sobre Bezzecchi. Fabio di Giannantonio (Ducati) segue em terceiro a 9 pontos do novo líder, enquanto Bezzecchi, que partira à procura de recuperar terreno, viu as suas aspirações ao título sofrerem um duro revés. O italiano #72 não somou qualquer ponto nas últimas três provas: Hungria (Balaton Park), República Checa (Brno) e Assen, desperdiçando assim o favoritismo conquistado no início da temporada. O seu último resultado positivo remonta ao Grande Prémio de Itália, onde ainda liderava a classificação geral.
O mês negro de Bezzecchi começou com o acidente múltiplo em Balaton Park, causado pelo seu colega de equipa, Jorge Martín, que eliminou três Aprilia logo na primeira volta. Seguiu-se a controversa situação em Brno, onde, após uma queda na corrida sprint, Bezzecchi reagiu de forma intempestiva e acabou por agredir um comissário de pista. A Direção de Prova sancionou-o, impedindo-o de alinhar na corrida principal de domingo. Em Assen, o azar voltou a bater-lhe à porta: nova queda, desta vez à segunda volta, quando tentava recuperar posições, ditou mais um abandono e a perda de pontos valiosos.
Massimo Rivola, CEO da Aprilia, não escondeu a preocupação com o estado mental e físico do seu piloto, mostrando-se compreensivo perante a pressão acumulada. “O que posso dizer? Vamos mandá-lo de férias uma semana, esperando acima de tudo que esteja bem e que queira ir. Ele precisa mesmo de um descanso, porque ultimamente passou-lhe tudo pela cabeça. Portanto, é compreensível que se sinta um pouco sob pressão”, afirmou Rivola após a corrida de domingo em Assen. No entanto, o dirigente italiano não deixou de sublinhar a responsabilidade do próprio piloto no desfecho da última corrida: “Dito isto, não devia ter cometido aquele erro [em Assen], especialmente porque aconteceu num local [curva 15, muito rápida] onde realmente te podes magoar”.
Rivola foi ainda crítico quanto ao papel de Jorge Martín no incidente de Balaton Park, que arruinou a corrida de três pilotos da Aprilia, incluindo Bezzecchi e Raúl Fernández. Contudo, reconheceu a evolução do espanhol, que mostrou outra maturidade em Assen, garantindo o pódio e assumindo a liderança do campeonato: “Todos cometemos erros”, comentou Rivola, referindo-se tanto ao seu piloto como ao rival da Ducati, mas reconhecendo a importância do crescimento competitivo de Martín.
Com o campeonato agora a meio e o paragem de verão à porta, o foco da Aprilia recai na recuperação anímica de Bezzecchi e na preparação para o próximo Grande Prémio, que poderá ser decisivo para as aspirações ao título. O piloto italiano terá de aproveitar este período para estabilizar e regressar mais forte, numa fase em que Jorge Martín se afirma como o homem a bater, com a consistência e frieza dignas de um campeão. O regresso à competição marcará o início da segunda metade do campeonato, com a luta pelo título ao rubro e vários pilotos ainda na disputa directa pelos lugares cimeiros. Para Bezzecchi, cada ponto poderá ser determinante na recuperação do terreno perdido e na resposta à pressão que, segundo Rivola, tem condicionado o seu desempenho nas últimas provas.

