Pecco Bagnaia viveu um fim de semana para esquecer no Grande Prémio de Aragão, onde não conseguiu somar qualquer ponto depois de sofrer uma nova queda durante a corrida de domingo. O piloto da Ducati não escondeu a frustração perante as dificuldades que continua a sentir, sobretudo devido à falta de aderência na traseira da moto.
Bagnaia explicou o que aconteceu no momento da queda, estabelecendo uma diferença em relação ao acidente sofrido anteriormente em Silverstone.
«Perdi o controlo da traseira e depois bloqueei a dianteira. É uma queda diferente da de Silverstone, porque ainda não tenho uma explicação para esse acidente. Infelizmente, hoje engrenei uma mudança demasiado cedo e, assim que senti a transferência de carga, a dianteira bloqueou», explicou.
Mais preocupante para o italiano é a falta de aderência que continua a sentir na traseira da Ducati, um problema que descreveu em termos particularmente claros.
«A falta de aderência na traseira é excessiva. A realidade é que não tenho aderência nenhuma, absolutamente nenhuma. Zero aderência», lamentou.
Bagnaia revelou que os problemas com o pneu traseiro começaram muito cedo na corrida e que, após apenas cinco voltas, já tinha sido obrigado a alterar o mapa do motor para reduzir a potência.
«Coloquei o mapa com menos potência porque o pneu traseiro estava completamente acabado. Sem forçar, sem fazer nada. Estava a sofrer bastante e, a partir da quinta volta, comecei a ter muito deslizamento», explicou.
O italiano considera que o ritmo apresentado não era necessariamente mau, mas a ausência de aderência impediu-o de manter um andamento competitivo e, sobretudo, de pilotar a moto com a naturalidade de que necessita.
A situação levou Bagnaia a fazer uma das declarações mais duras sobre o momento que atravessa na Ducati.
«Dou o máximo em todas as situações e, quando regresso à box, tento ser o mais claro possível sobre aquilo que está a acontecer para encontrarmos uma solução que, infelizmente, nunca chega. O facto é que esforço-me ao máximo, mas acabo por cair mesmo quando estou a rodar um segundo mais lento. Tudo isto é humilhante e desmoralizante. Penso que é um dos piores momentos da minha carreira, porque não consigo ver uma saída.»
As sucessivas quedas tornaram-se uma preocupação adicional para o antigo campeão do mundo, que admite não conseguir pilotar a atual Ducati de forma natural.
«Dei à Ducati tudo aquilo que podia dar e é difícil aceitar que a situação seja esta, apesar de todo o meu empenho e de todos os dados que analiso diariamente. Com a moto atual não consigo pilotar de forma natural e, por isso, acabo por cair», afirmou.
Bagnaia considera que a situação se agravou depois da pausa de verão, identificando Silverstone como o momento a partir do qual as sensações mudaram significativamente.
«Antes da pausa de verão, as sensações não eram assim tão más. Agora, desde Silverstone, alguma coisa aconteceu, porque não tenho aderência nenhuma.»
O piloto explicou ainda que não foram introduzidas alterações significativas na configuração da moto que permitam justificar facilmente a mudança de comportamento, tornando ainda mais difícil encontrar uma explicação para os problemas que enfrenta.
O resultado em Aragão prolonga assim um dos períodos mais complicados da carreira de Bagnaia. Mais do que a ausência de pontos, são as dificuldades em compreender a falta de aderência e em encontrar uma solução que mais preocupam o italiano, que admite abertamente não conseguir ver, para já, uma saída para a situação.


