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KOVE 350RR e 450RR: duas desportivas, duas formas de chegar às mesmas curvas

Publicado a 26 de Setembro de 2026, às 09h26  ·  8 min de leitura

O essencial

  • KOVE 350RR e 450RR são desportivas compactas leves com 164 kg e 165 kg, desenvolvidas com foco na condução em curva e experiência de corrida.
  • 350RR utiliza bicilíndrico paralelo de 344 cc com 47,6 cv, enquanto 450RR tem quatro cilindros de 443 cc com 66,6 cv, criando duas personalidades diferentes.
  • Ambas partilham filosofia comum: carenagem integral, jantes de 17 polegadas, instrumentação TFT, ABS e controlo de tração, sem depender apenas de números de potência elevados.

A KOVE 350RR e a 450RR partilham muito mais do que um nome. Ambas são desportivas compactas, leves e desenvolvidas com uma preocupação evidente em aproximar a experiência de estrada do universo das corridas. Mas a receita muda radicalmente quando se passa do bicilíndrico de 344 cc para o quatro cilindros de 443 cc.

É precisamente aí que esta comparação fica interessante. A 350RR não é simplesmente a versão mais pequena da 450RR, nem a 450RR é apenas uma 350RR com mais potência. O motor, o quadro, a suspensão, os travões e até a forma como cada uma entrega desempenho foram trabalhados para criar duas interpretações diferentes da mesma ideia.

E, em 2026, a diferença é particularmente curiosa porque a KOVE conseguiu manter os dois conjuntos extremamente leves: 164 kg na 350RR e cerca de 165 kg na 450RR. A partir daí, cada quilograma e cada cavalo passam a ter um papel muito importante.

O mesmo conceito, duas personalidades

A KOVE 350RR nasceu diretamente da experiência da marca no WorldSSP300. A própria KOVE descreve a atual 350RR como uma desportiva desenvolvida a partir da plataforma de competição que conquistou o título mundial, utilizando a experiência acumulada em três anos de competição.

O resultado é uma moto compacta, com 2000 mm de comprimento, 1374 mm de distância entre eixos, banco a 790 mm e depósito de 15 litros. O peso em ordem de marcha é de apenas 164 kg.

A 450RR mantém a mesma lógica de baixo peso, mas passa para uma arquitetura completamente diferente. O quatro cilindros em linha de 443 cc é acompanhado por um quadro em treliça e por uma ciclística mais sofisticada, colocando a moto num patamar claramente mais desportivo. A ficha de 2026 indica cerca de 165 kg em ordem de marcha, banco a aproximadamente 785 mm e depósito de 15 litros.

Ou seja, a diferença de peso é praticamente inexistente. É o motor que muda a história.

Dois motores que não poderiam ser mais diferentes

A 350RR utiliza um bicilíndrico paralelo de 344 cc, DOHC, oito válvulas e refrigeração líquida. Para 2026, entrega 35 kW a 11.500 rpm e 32,2 Nm a 9000 rpm, equivalentes a cerca de 47,6 cv. Tem caixa de seis velocidades e dois modos de condução, Sport e Eco.

É um motor que combina uma resposta relativamente acessível nos regimes baixos e médios com uma zona alta onde começa verdadeiramente a mostrar o seu carácter. Para uma moto com apenas 164 kg, 47,6 cv já representam uma relação peso/potência interessante.

Mas a 450RR joga com outra carta.

O seu quatro cilindros em linha de 443 cc, também DOHC e refrigerado por líquido, chega aos 48,5 kW na especificação de 2026, com o motor a trabalhar às 13.250 rpm, enquanto o binário ronda os 38-39 Nm a cerca de 11.000 rpm. A ficha homologada coloca a potência em aproximadamente 66,6 cv, podendo o sistema Ram Air acrescentar potência em determinadas condições de velocidade.

É uma diferença de quase 20 cv com praticamente o mesmo peso.

E isso transforma completamente a personalidade da moto.

A 350RR tem a força e a simplicidade de um bicilíndrico compacto. A 450RR é uma pequena desportiva de quatro cilindros que recompensa o condutor à medida que as rotações sobem, com uma banda de utilização mais próxima da filosofia clássica das Supersport.

A 350RR joga com a leveza

A grande virtude da 350RR está precisamente naquilo que não precisa de fazer.

Não precisa de atingir velocidades absurdas para ser divertida. Não precisa de um motor com uma potência enorme. E não precisa de componentes exageradamente complexos para transmitir ao condutor a sensação de estar numa moto desportiva.

O quadro em formato diamante, a forquilha invertida de 37 mm e o monoamortecedor traseiro regulável na pré-carga formam um conjunto simples e leve. Na travagem, existe um disco dianteiro de 320 mm e um disco traseiro de 220 mm, com ABS de dois canais. As jantes de 17 polegadas utilizam pneus 110/70 à frente e 150/60 atrás.

A geometria também ajuda a perceber a intenção da moto: 1374 mm entre eixos, 790 mm de altura do banco e apenas 164 kg em ordem de marcha.

Tudo aponta para uma moto fácil de colocar onde o condutor quer, rápida a mudar de direção e suficientemente acessível para permitir explorar a condução desportiva sem que o motor domine a experiência.

É uma abordagem muito semelhante àquela que tornou algumas das pequenas desportivas mais interessantes dos últimos anos: menos velocidade absoluta, mais envolvimento.

A 450RR quer que subas de rotação

Na 450RR, a prioridade muda.

O quadro passa para uma estrutura em treliça e a suspensão dianteira utiliza uma forquilha KYB invertida de 41 mm totalmente regulável. Atrás surge um monoamortecedor KYB com reservatório separado e possibilidade de regulação.

A travagem passa também para dois discos dianteiros de 300 mm com pinças radiais de quatro pistões, acompanhados por um disco traseiro de 220 mm. Os pneus são mais largos: 120/70 R17 à frente e 160/60 R17 atrás.

Não é apenas uma questão de números. Esta configuração revela uma moto pensada para suportar um ritmo mais elevado e para permitir ao condutor tirar partido do motor de quatro cilindros.

O quickshifter, o controlo de tração e os dois modos de motor reforçam essa orientação. E, como seria de esperar numa moto deste género, o quatro cilindros convida a manter o motor em rotação, procurando aquela faixa em que a potência começa a crescer com mais intensidade.

A 450RR é, portanto, uma moto que pede um pouco mais ao condutor, mas também devolve mais quando este começa a explorar o potencial do conjunto.

O que realmente une as duas?

Apesar da diferença mecânica, há uma filosofia comum muito forte.

Ambas são desportivas compactas, leves e com uma clara preocupação com a condução em curva. Ambas utilizam carenagem integral, jantes de 17 polegadas, instrumentação TFT, ABS e controlo de tração. Ambas procuram oferecer uma experiência que não depende simplesmente de números de potência elevados.

E há outra característica que as aproxima: a KOVE não tentou fazer duas motos enormes e pesadas com motores relativamente pequenos.

Pelo contrário. A marca manteve o peso muito baixo e deixou que os motores definissem a personalidade de cada uma.

É uma decisão particularmente interessante porque significa que a 350RR não parece uma versão “barata” da 450RR. É uma moto com uma razão de existir própria.

E onde realmente se separam?

A resposta está sobretudo no tipo de condução que cada uma recompensa.

A 350RR favorece um condutor que gosta de carregar velocidade para as curvas, travar tarde e aproveitar uma moto muito leve e compacta. O motor bicilíndrico permite explorar a moto sem que a velocidade cresça demasiado depressa, o que também pode ser uma vantagem em estradas sinuosas.

A 450RR acrescenta uma dimensão diferente: a velocidade de saída das curvas e a capacidade de continuar a acelerar quando a estrada abre. O quatro cilindros muda a relação do condutor com o acelerador e convida a procurar mais rotações.

É quase a diferença entre aprender a ser rápido através da técnica e aprender a gerir uma maior reserva de desempenho.

Para quem faz mais sentido cada uma?

A KOVE 350RR é particularmente interessante para quem quer uma desportiva leve, compacta e acessível, seja como primeira experiência séria neste tipo de moto ou como máquina para desfrutar de estradas sinuosas sem precisar de uma enorme reserva de potência.

Também é a proposta mais fácil de explorar em toda a extensão do motor sem entrar rapidamente em velocidades elevadas.

A KOVE 450RR já fala com outro tipo de condutor. Os cerca de 66,6 cv homologados, o quatro cilindros capaz de ultrapassar as 13.000 rpm, a suspensão KYB totalmente regulável, os travões radiais e o quickshifter colocam-na mais perto da experiência tradicional de uma pequena Supersport.

É particularmente apelativa para quem procura precisamente aquilo que um quatro cilindros pequeno consegue oferecer: subir de rotação, manter o motor vivo e sentir que a moto continua a acelerar quando outras começam a perder fôlego.

Duas KOVE, duas ideias de diversão

A comparação entre a 350RR e a 450RR acaba por ser mais interessante do que uma simples diferença de cilindrada.

A 350RR mostra como uma moto leve e relativamente simples pode ser extremamente envolvente quando a prioridade está na agilidade. A 450RR demonstra o que acontece quando se mantém praticamente o mesmo peso, mas se coloca por baixo da carenagem um quatro cilindros de alta rotação e se reforça toda a ciclística para acompanhar esse motor.

Uma é mais sobre carregar velocidade em curva. A outra é mais sobre ganhar velocidade à saída dela.

Uma recompensa a simplicidade e a técnica. A outra acrescenta a emoção de um motor que pede rotações.

E é precisamente isso que torna a dupla interessante: a KOVE não criou apenas uma 450RR mais potente. Criou duas interpretações da mesma ideia de desportiva leve — uma bicilíndrica e focada na agilidade, outra tetracilíndrica e orientada para explorar a rotação e o desempenho.

Imagens: Kove

Ficha técnica

Motor 350RR
Bicilíndrico paralelo de 344 cc, DOHC, refrigeração líquida
Potencia 350RR
35 kW (47,6 cv) a 11.500 rpm
Binario 350RR
32,2 Nm a 9000 rpm
Motor 450RR
Quatro cilindros em linha de 443 cc, DOHC, refrigeração líquida
Potencia 450RR
48,5 kW (66,6 cv) a 13.250 rpm
Binario 450RR
38-39 Nm a 11.000 rpm
Peso 350RR
164 kg em ordem de marcha
Peso 450RR
Cerca de 165 kg em ordem de marcha
Transmissao 350RR
Caixa de seis velocidades
Depósito
15 litros (ambas)

Redação

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