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Honda CBR1000RR-R Fireblade 2027 nasce com foco no WorldSBK e recebe novo chassis, aerodinâmica e motor revisto
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Honda CBR1000RR-R Fireblade 2027 nasce com foco no WorldSBK e recebe novo chassis, aerodinâmica e motor revisto

Publicado a 2 de Novembro de 2026, às 16h56  ·  12 min de leitura

O essencial

  • Nova CBR1000RR-R Fireblade 2027 desenvolvida com prioridade no WorldSBK, com novo quadro de alumínio e aerodinâmica sem alhetas exteriores.
  • Motor de quatro cilindros mantém 160 kW (217,5 cv) com alterações internas e novos sistemas de admissão para melhorar resposta a médias rotações.
  • Braço oscilante em alumínio é 200 g mais leve, quadro reduz 20% na rigidez lateral e corrente 520 poupa 270 g ao conjunto.
  • Suspensões Showa revistas, travões Nissin com pinças radiais de quatro êmbolos, ABS em curva com três modos: STANDARD, TRACK e RACE.

A Honda desenvolveu a nova CBR1000RR-R Fireblade 2027 com uma prioridade diferente da habitual: definir primeiro os requisitos de uma moto de competição para o WorldSBK e só depois avançar para o desenvolvimento da versão de produção. O trabalho foi realizado em estreita colaboração com o Honda Racing Corporation (HRC) e deu origem a uma Fireblade profundamente renovada, com novo quadro de alumínio, braço oscilante mais leve, suspensões Showa revistas e um pacote aerodinâmico sem as tradicionais alhetas exteriores. O motor de quatro cilindros mantém os 160 kW (217,5 cv), mas recebe alterações internas e novos sistemas de admissão para reforçar a resposta a médias rotações.

A abordagem representa uma mudança importante na filosofia de desenvolvimento da superbike japonesa. Em vez de adaptar uma moto de estrada às exigências das corridas, a Honda começou por identificar as necessidades da competição, trabalhando depois para as transportar para um modelo homologado para utilização em estrada. A nova geração pretende melhorar sobretudo a entrada em curva, a estabilidade a meio da trajetória e a capacidade de aceleração à saída, sem perder a versatilidade necessária fora do circuito.

A evolução dá continuidade ao percurso iniciado com a Fireblade original e à ligação tecnológica que a CBR1000RR-R mantém com a RC213V-S e a RC213V de MotoGP. Depois das melhorias introduzidas na edição de 30.º aniversário, em 2022, e das alterações ao motor e à caixa de velocidades em 2024, a versão 27YM representa uma renovação muito mais abrangente. A Honda apresenta ainda as variantes CBR1000RR-R Fireblade SP e CBR1000RR-R Fireblade HRC WE como extensões desta nova base, com componentes de nível superior e maior capacidade de afinação orientada para a competição.

Novo quadro e braço oscilante para melhorar o comportamento em curva

Novo quadro e braço oscilante

A estrutura principal é completamente nova. O quadro de alumínio tipo diamante utiliza o processo de fundição por gravidade de paredes finas da Honda, que permite fabricar secções com apenas 2 mm de espessura e controlar com precisão o equilíbrio da rigidez. O objetivo foi rever a relação entre rigidez e geometria de direção, aumentando a carga sobre a roda dianteira e melhorando a leitura do comportamento da moto nas diferentes fases da curva.

Uma das alterações mais relevantes está na forma como o amortecedor traseiro é montado. O ponto de fixação inferior do Showa BFRC-Lite passou do quadro para a parte traseira do motor, enquanto o ponto superior continua ligado ao motor através de um suporte. Esta solução contribui para uma redução de 20% na rigidez lateral do conjunto, segundo a Honda, procurando melhorar a sensação de aderência e a estabilidade. O novo braço oscilante em alumínio prensado foi desenvolvido especificamente para trabalhar com o quadro revisto e apresenta uma redução de 12% na rigidez lateral, mantendo a rigidez torsional necessária.

O braço oscilante mede 620,6 mm e é 200 g mais leve do que o anterior. Também o veio pivot foi reduzido em 3 mm, passando a ter 17 mm de diâmetro. A utilização de uma corrente de transmissão 520, em substituição da anterior 525, permite retirar mais 270 g ao conjunto, reduzindo a massa não suspensa e a inércia rotacional.

A geometria foi igualmente ajustada. A distância entre eixos é de 1.455 mm, o ângulo da coluna de direção passa a 24° e o avanço é de 101 mm. A distribuição do peso evolui para 53,3% na dianteira e 46,7% na traseira, face aos anteriores 52,8% e 47,2%. A linha central da cambota sobe 5,2 mm, enquanto o subquadro foi redesenhado com tubos de alumínio de paredes finas e secção circular. A altura do assento aumenta de 831,5 para 843 mm, permitindo ao condutor movimentar-se mais facilmente sobre a moto nas mudanças de direção.

Suspensões Showa, travões Nissin e novas jantes

Suspensões, travões e jantes

Na dianteira, a Fireblade passa a utilizar uma forquilha invertida Showa Big Piston Fork (BPF) de 43 mm, fixada por mesas superior e inferior redesenhadas. A suspensão permite regular a pré-carga da mola e o amortecimento em compressão e extensão. O maior volume de amortecimento foi pensado para reduzir a pressão hidráulica durante o funcionamento, proporcionando uma resposta mais progressiva e um contacto mais consistente do pneu com o asfalto.

Atrás, o amortecedor Showa Balance Free Rear Cushion Light (BFRC-Lite) é totalmente ajustável. A sua construção de tubo duplo separa a caixa de amortecimento do cilindro interior e utiliza um circuito próprio para controlar a passagem do óleo. De acordo com a Honda, esta arquitetura permite gerir as variações de pressão de forma mais suave e manter uma resposta consistente nas transições entre compressão e extensão.

A travagem dianteira recebe novas pinças radiais Nissin de quatro êmbolos, desenvolvidas para suportar as cargas elevadas da utilização em competição. Os materiais dos êmbolos e os tratamentos de superfície foram revistos para melhorar a gestão da temperatura e preservar a sensibilidade da manete durante travagens intensas. As pinças atuam sobre dois discos de 330 mm de diâmetro e 4,5 mm de espessura.

O ABS em curva dispõe de três modos de funcionamento: STANDARD, TRACK e RACE. O primeiro está orientado para a utilização em estrada, procurando limitar a elevação da roda traseira e manter uma travagem estável. O modo TRACK foi calibrado para travagens a velocidades mais elevadas em circuito e permite a elevação da roda traseira. Já o modo RACE desativa a intervenção do ABS na roda traseira e a funcionalidade do ABS em curva.

As novas jantes de alumínio fundido adotam um desenho oco de sete raios e recorrem ao mesmo processo de fundição GDC utilizado no quadro. Os perfis e as espessuras das paredes foram otimizados, permitindo reduzir 190 g na roda dianteira e 590 g na traseira. As dimensões dos pneus mantêm-se: 120/70 ZR17 à frente e 200/55 ZR17 atrás.

Aerodinâmica desenvolvida com o HRC dispensa as alhetas exteriores

Aerodinâmica sem alhetas exteriores

A Honda e o HRC desenvolveram um pacote aerodinâmico inteiramente novo, recorrendo à experiência acumulada no MotoGP. As novas carenagens foram desenhadas para melhorar a eficiência aerodinâmica, reduzir o arrasto e aumentar a proteção do condutor contra o vento, mantendo o nível de força descendente do anterior desenho com alhetas.

A solução passa por superfícies redesenhadas e por uma secção central em camadas, que gere o fluxo de ar em torno do condutor e da moto. As entradas de ar laterais, posicionadas na zona inferior das carenagens, são outro elemento importante: ajudam a controlar o fluxo de ar ao longo da parte inferior da Fireblade e procuram melhorar o comportamento nas mudanças de direção a alta velocidade.

O desenvolvimento combinou simulações de dinâmica de fluidos computacional (CFD), modelação em barro e testes em pista. A Honda procurou ainda equilibrar a área frontal e a ergonomia, de modo a conseguir os ganhos aerodinâmicos sem limitar a movimentação do condutor.

A secção dianteira recebe um novo farol LED com luzes diurnas DRL, integrado numa unidade amovível concebida também a pensar nas aplicações de competição. Atrás, o farolim passa a ser mais compacto e leve. Outra mudança visual e funcional está no depósito de combustível, agora fabricado em titânio e com capacidade de 16,6 litros. A cobertura plástica exterior dos modelos anteriores foi eliminada, deixando o depósito exposto e contribuindo para a redução de peso.

Motor mantém 217,5 cv e recebe admissão variável de duas fases

O motor de quatro cilindros em linha e 1.000 cc mantém a potência máxima de 160 kW (217,5 cv) às 14.000 rpm e o binário máximo de 114 Nm às 10.500 rpm. A arquitetura de curso curto permanece, com 81 mm de diâmetro e 48,5 mm de curso, mas a Honda introduziu várias alterações para melhorar a entrega de potência a médias rotações, aumentar a eficiência e reduzir o peso.

A principal novidade na admissão é a estreia, numa moto Honda de produção em série, de funis de ar variáveis de duas fases. Até às 11.750 rpm, estes trabalham na posição mais longa, favorecendo a eficiência de admissão e a resposta a médias rotações. Acima desse regime, passam para uma configuração mais curta, concebida para manter o fluxo de ar e a potência nas rotações mais elevadas.

O acelerador eletrónico TBW continua a utilizar dois motores de atuação, que gerem separadamente os cilindros um e dois e os cilindros três e quatro. A solução permite controlar com maior precisão a entrega de binário a baixa e média rotação e gerir o efeito de travão-motor durante a desaceleração. O diâmetro dos corpos de aceleração mantém-se nos 52 mm.

A taxa de compressão sobe de 13,6:1 para 13,8:1, graças a novas operações de maquinagem nas cabeças dos pistões e nas câmaras de combustão. O sistema de distribuição também foi revisto, com novas opções de ajuste dos carretos e alterações no conjunto de válvulas, incluindo as molas, para melhorar a durabilidade em utilização prolongada a regimes elevados.

A redução de peso estende-se a vários componentes internos e externos. Os cárteres foram aligeirados e o magnésio passa a ser utilizado na tampa das válvulas, na tampa direita do cárter, na tampa da embraiagem e no cárter do óleo. Trinta e cinco fixadores de alumínio substituem elementos anteriormente fabricados em aço, permitindo poupar mais 215 g. A Honda mantém ainda as bielas e as capas de biela em titânio, assim como outras soluções técnicas herdadas da experiência adquirida com a RC213V-S.

A caixa de velocidades também foi revista. A distância entre o veio primário e o contraveio aumenta 3 mm, passando para 68 mm, o que permite alargar as possibilidades de escolha das relações de transmissão em função dos circuitos. A primeira velocidade é agora 5% mais longa. O sistema de escape mantém o silenciador Akrapovič de titânio, compacto e de baixo peso, fornecido de série.

Eletrónica gerida por IMU de seis eixos e nove níveis de HSTC

A gestão eletrónica assenta numa unidade de medição de inércia IMU de seis eixos, fornecida pela Bosch, que monitoriza a atitude e os movimentos da Fireblade e disponibiliza os dados necessários aos sistemas de assistência. O conjunto foi recalibrado para acompanhar as características do motor e do novo chassis.

O controlo de tração variável Honda HSTC disponibiliza nove níveis de intervenção. A eletrónica trabalha em conjunto com o acelerador TBW para gerir a entrega de potência e a aderência da roda traseira. O controlo anticavalinho utiliza os dados da IMU e dos sensores de velocidade das rodas para gerir a elevação da dianteira, procurando aproveitar a tração disponível em vez de eliminar simplesmente qualquer tendência para levantar a roda.

Os três modos de condução de série permitem adaptar a resposta da moto a diferentes condições e preferências. O condutor pode ajustar a potência (P), o efeito de travão-motor (EB), o controlo anticavalinho (W) e o HSTC. A potência dispõe de cinco níveis, o efeito de travão-motor de três e o controlo anticavalinho também de três níveis, além da possibilidade de o desligar.

O Launch Control passa igualmente a integrar o equipamento de série e oferece quatro limites de rotação para o arranque: 6.000, 7.000, 8.000 e 9.000 rpm. O sistema permite manter o acelerador aberto e concentrar a operação na libertação da embraiagem.

Toda a informação e as configurações são geridas através de um painel TFT a cores de 5 polegadas, operado por um comando de quatro vias no punho esquerdo. O ecrã é personalizável e permite adaptar a apresentação dos dados às preferências do condutor. A Smart Key Honda assegura o funcionamento sem chave da ignição e da tranca da direção, enquanto o sistema ESS ativa os indicadores traseiros em travagens fortes para alertar quem circula atrás.

A Honda refere ainda a utilização de materiais sustentáveis em componentes selecionados, incluindo polipropileno e poliamida reciclados, polipropileno reciclado pós-consumo e Durabio.

Acessórios e disponibilidade

A gama de acessórios originais Honda para a CBR1000RR-R Fireblade 2027 inclui opções de personalização, proteção e utilização em pista. Entre as novidades estão um para-brisas fumado e grafismos HRC atualizados, complementados por frisos para as jantes e uma cobertura do banco do passageiro na cor da moto.

A marca disponibiliza também um Sport Pack específico, que reúne o para-brisas fumado, proteção central do depósito, frisos para as jantes, proteção do quadro, proteção da cremalheira, cobertura do banco do passageiro e quickshifter. A lista de acessórios individuais inclui ainda um carregador USB Type-C, capa de proteção para utilização em interiores, kit de autocolantes HRC, tampão de enchimento de óleo, proteções laterais do depósito e tampas para os orifícios dos espelhos e do suporte da matrícula.

A informação disponibilizada pela Honda aponta para a cor Cinzento Pérola Deep Mud na CBR1000RR-R Fireblade 27YM. Não foram indicados nesta apresentação o preço nem a data de chegada ao mercado português.

Imagens: Honda

Ficha técnica

Motor
Quatro cilindros
Potencia
160 kW (217,5 cv)
Quadro
Alumínio tipo diamante com fundição por gravidade
Suspensao Dianteira
Forquilha invertida Showa BPF 43 mm
Suspensao Traseira
Amortecedor Showa BFRC-Lite
Travagem Dianteira
Pinças radiais Nissin de quatro êmbolos, dois discos 330 mm
Rodas
Alumínio fundido, sete raios
Pneus
120/70 ZR17 (dianteira) e 200/55 ZR17 (traseira)
Distancia entre eixos
1.455 mm
Altura do assento
843 mm

Redação

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