Portugal de Lés-a-Lés Off-Road 2026: chuva, areia e aventura até Portimão
O essencial
- A 11.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road terminou em Portimão com 375 quilómetros entre Almeirim marcados por chuva intensa e lama no Alentejo.
- Jacqueline Zentner e Carla Vidal, duas estreantes em todo-o-terreno, completaram o percurso em motos de pequena cilindrada apesar de múltiplas quedas.
- A 8.ª Campanha Reflorestar plantou 25 sobreiros em Portimão com apoio dos escuteiros do Agrupamento 159.
A última etapa do 11.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road ficou marcada por uma inesperada mudança de cenário. Depois de dois dias de serras pedregosas e troços sinuosos, os 375 quilómetros entre Almeirim e Portimão trouxeram chuva intensa ao Alentejo, transformando o percurso numa autêntica prova de resistência e dando aos participantes mais uma história para acrescentar às muitas aventuras vividas ao longo da travessia organizada pela Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal (FMP).
A chuvada caiu com particular intensidade antes de Ermidas do Sado, onde estava instalado o Oásis da FMP, e rapidamente alterou as condições do percurso. A lama barrenta e escorregadia transformou alguns sectores numa espécie de pista de hard-enduro, enquanto as zonas de areia já tinham sido responsáveis por algumas quedas na entrada em território alentejano. Num dia longo, a gestão do esforço e do tempo revelou-se essencial para chegar ao final da etapa, depois de uma edição que colocou à prova pilotos e motos com pisos muito diferentes ao longo dos três dias.





O desafio não escolhe sexo nem idade
As dificuldades encontradas no último dia também ajudaram a valorizar ainda mais a chegada ao Passeio da Ribeirinha, em Portimão, onde o rio Arade termina o seu percurso antes de encontrar o Atlântico. Entre os participantes que cruzaram o pórtico final estiveram Jacqueline Zentner e Carla Vidal, duas estreantes em eventos de todo-o-terreno que aceitaram o desafio lançado pela piloto brasileira Janaína Souza. A experiência anterior das duas resumia-se a algumas voltas com motos pequenas numa pista em Sintra, precisamente sob orientação de Janaína.
Jacqueline estava habituada a viagens de longa distância em asfalto aos comandos de uma BMW R1300 GSA, tendo recentemente percorrido estradas na Roménia, incluindo a Transfagarasan, além de ter viajado pela Turquia, Grécia e outros países. Para enfrentar o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, porém, trocou a pesada maxitrail por uma Yamaha WR125R e, mesmo sem uma preparação específica para o desafio, completou todo o percurso. No caminho ficaram nove quedas contabilizadas por si: três no primeiro dia, duas no segundo e quatro na última etapa. Ainda assim, a conclusão foi simples: “até nem foi assim tão mau”, ficando desde logo a vontade de repetir a experiência em 2027.
A aventura também serviu para contrariar a ideia de que o todo-o-terreno é um território reservado aos homens. “O prazer de andar de moto não escolhe sexo nem idade”, resume o espírito de uma prova que reuniu participantes com experiências e idades muito diferentes. Jacqueline, particularmente rendida ao ambiente do evento, ficou com vontade de levar também o marido para a próxima edição, enquanto apontou a passagem pela areia como “o ponto mais marcante do dia e talvez de todo o passeio”.
Janaína Souza, por seu lado, aproveitou para mostrar que uma moto de pequena cilindrada também pode ser uma excelente companheira neste tipo de aventura. Aos comandos da WR125R, bem diferente da WR450 com que vai competir nos Seis Dias de Enduro, em Grândola, a piloto brasileira destacou precisamente a acessibilidade do desafio: “Basta querer e ter a coragem de sair do sofá, deixando de arranjar desculpas para não aparecer”.





Entre quedas, areia e espírito de entreajuda
Sara Lisboa é outro exemplo de participação regular nos eventos da FMP, integrando a equipa Jomotos e enfrentando as dificuldades sem desistir. Na última etapa, sofreu uma queda numa zona de areia e acabou envolvida num incidente com o pluricampeão de motocrosse e enduro António Oliveira. O episódio não provocou danos físicos, mas deixou a Yamaha Ténéré do conhecido “Esgravulha” com o cárter partido. Para conseguir chegar à estrada mais próxima, António Oliveira contou com a ajuda de um amigo que o rebocou durante alguns quilómetros.
O espírito de entreajuda voltou a revelar-se essencial numa etapa em que as condições do terreno tornaram a progressão particularmente exigente. E a diversidade dos participantes mostrou que a aventura proposta pelo Portugal de Lés-a-Lés Off-Road consegue juntar diferentes gerações. Vasco Granger, com apenas 16 anos, foi o mais jovem participante da 11.ª edição, aos comandos de uma Husqvarna 125 e sempre acompanhado pelo pai, Bruno. A experiência partilhada em família deixou também a promessa de regresso em 2027.
A próxima edição deverá voltar a reunir participantes de vários países, incluindo os irlandeses John Galavan, Robert Murphy, John Anthony Murphy, David Rynhart e Paul Coles, os italianos Stefano Scartozzi, Alessandro Marano, Giulio Di Michele, Alessandro Paganelli e Giovanni Masci, o ucraniano Volodymyr Pyrogov, os sul-africanos Sean Dunstan e Derek Lubbers, o neerlandês Sven Schulte, os franceses Yvon Guilliene e Jean-Michel Lach, os suíços Vincent Zosso e Nicolas Sieczko e o finlandês Harri Tapio Eskelinen, além de um contingente espanhol cada vez mais numeroso.





Mais árvores para as serras portuguesas
A passagem do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road pelo território português também ficou ligada à vertente ambiental promovida pela FMP. A 8.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés voltou a levar árvores para zonas afetadas pelos incêndios, ao mesmo tempo que procurou sensibilizar as populações, sobretudo os mais jovens, para a importância da utilização de espécies autóctones, mais adequadas às características de cada região.
Em Portimão, com o apoio dos escuteiros do Agrupamento 159, foram plantados mais 25 sobreiros, com acompanhamento previsto para os próximos anos. São árvores que, no futuro, poderão fazer parte da paisagem atravessada pelas diferentes versões do Portugal de Lés-a-Lés, seja a edição normal, a clássica ou o próprio Off-Road. Assim, entre lama, areia, quedas, chuva e muitos quilómetros, a 11.ª edição terminou com a mesma promessa que acompanha este tipo de aventura: voltar à estrada no ano seguinte.




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