A comunidade do motociclismo foi abalada pelo rumor de que o mítico circuito de Phillip Island poderia ser transformado num campo de golfe, após a confirmação da saída do MotoGP e do WorldSBK do calendário. As declarações de Bob Barnard, conceituado desenhador de circuitos, lançaram a dúvida e causaram preocupação entre fãs e profissionais do desporto motorizado, temendo-se pelo futuro daquele que é um dos traçados mais icónicos da Austrália e do mundo.
Apesar da especulação, Andrew Fox, administrador da Linfox Property Group, veio a público negar categoricamente qualquer intenção de vender o circuito ou de proceder à sua conversão. “A pista não está, de todo, à venda, e não temos qualquer interesse em construir um campo de golfe nos terrenos de Phillip Island”, esclareceu Fox, em declarações à Australian Motorcycle News, na sequência da polémica instalada. “O terreno será, definitivamente, sempre um circuito de corridas. Quero deixar isso muito, muito claro em nome da família Fox”, reforçou o responsável máximo da entidade proprietária do traçado. Fox recordou ainda que, relativamente à hipótese de um campo de golfe, “a última vez que tal foi proposto [em terrenos adjacentes ao circuito], o conselho municipal votou contra. Porque razão haveríamos de perder tempo novamente, especialmente à custa de destruir o circuito?”
O futuro do MotoGP já foi delineado, com a prova australiana a mudar-se para um novo circuito citadino em Adelaide a partir de 2027, enquanto o Mundial de Superbike (WorldSBK) fará a transição para The Bend, a partir de 2028. Esta decisão marca o fim de uma era para Phillip Island, que desde 1989 tem sido palco regular do MotoGP e desde 1990 do WorldSBK, proporcionando alguns dos duelos mais memoráveis da história do motociclismo mundial. Com o abandono das principais competições internacionais, multiplicaram-se os receios relativamente à viabilidade financeira e à manutenção do circuito.
Bob Barnard, autor do traçado original de Phillip Island e também do circuito citadino de Adelaide para a Fórmula 1, alertou recentemente para a possibilidade de ambos os circuitos estarem em risco, devido à contestação ambiental e à eventual falta de eventos de grande dimensão. Barnard apontou a preocupação crescente com o impacto ecológico das corridas em Adelaide, sublinhando que o futuro do MotoGP na Austrália pode estar mais incerto do que nunca: “Se perdermos Phillip Island e Adelaide, perdemos dois dos melhores circuitos do país”, advertiu Barnard, numa análise ao panorama nacional.
No imediato, a ausência do MotoGP e do WorldSBK representa um duro golpe para a região de Phillip Island, que ao longo das décadas beneficiou do afluxo de milhares de adeptos e da notoriedade internacional. Apesar disso, a família Fox garante a continuidade do circuito como infraestrutura dedicada ao desporto motorizado, abrindo portas à realização de provas nacionais, eventos de clássicos e track days. Esta aposta visa manter vivo o legado do traçado e preservar o seu estatuto de referência no panorama australiano.
Para já, o calendário internacional avança com a transição para Adelaide e The Bend, com as equipas e pilotos a prepararem-se para desafios inéditos nestes novos cenários urbanos e modernos. As alterações potenciarão rivalidades renovadas e poderão alterar o equilíbrio de forças no campeonato, nomeadamente entre construtores como Ducati, Yamaha e Honda, que terão de adaptar estratégias e afinações à nova realidade australiana. Os próximos meses serão decisivos para perceber que pilotos e equipas conseguirão adaptar-se mais rapidamente às mudanças, numa fase crucial da temporada.
A incerteza persiste quanto ao impacto a longo prazo destas alterações, mas para já, Phillip Island mantém-se firme enquanto santuário do desporto motorizado, graças ao compromisso assumido publicamente pela família Fox. O futuro imediato passa por consolidar o circuito como referência nacional, ao mesmo tempo que o MotoGP e o WorldSBK se preparam para escrever novos capítulos noutras paragens australianas.

