Miguel Oliveira surpreendeu ao abandonar prematuramente a corrida 2 do GP de Emilia-Romagna em Misano, Itália, naquela que foi a sua muito aguardada jornada de regresso ao Mundial de Superbikes. O piloto português, ainda a recuperar de uma lesão séria no ombro, viu-se obrigado a sair de pista a doze voltas do fim.
O fim-de-semana em Misano marcava o regresso de Miguel Oliveira à competição após mais de um mês afastado devido a uma queda violenta sofrida na ronda húngara, no início de Maio. O piloto da BMW tinha falhado as etapas da Chéquia e de Aragão, pelo que esta etapa italiana assumia particular importância para testar limites e ambições. Na manhã da corrida, Oliveira fez uma notável recuperação na Superpole, garantindo o sexto lugar da grelha, mas rapidamente caiu para a nona posição durante o desenrolar da prova. A doze voltas do fim, não resistiu às limitações físicas e abandonou, visivelmente desgastado.
Este abandono ganha ainda mais peso quando se considera o contexto da competição. A luta pelo Mundial de Superbikes não tem história, com Nicolò Bulega, da Ducati, a liderar confortavelmente após mais uma vitória sólida em Misano. O italiano já soma uma vantagem impressionante de 121 pontos sobre o espanhol Iker Lecuona, que terminou em segundo lugar, seguido de Yari Montella, também italiano, no terceiro posto.
A importância deste episódio não se esgota no simples abandono. O regresso de Miguel Oliveira era visto como um momento-chave para redefinir o ritmo competitivo da equipa e para medir o impacto real da sua recuperação física. Muitos adeptos e analistas esperavam que o português pudesse retomar o ritmo dos melhores, mas a dura realidade das corridas e das lesões ficou exposta em Misano. Há poucas semanas, a ausência do piloto português já tinha sido sentida, mas após este abandono o piloto terá tempo para recuperar totalmente até à próxima ronda.
Após o final da corrida, Miguel Oliveira foi reservado nas declarações, mas não escondeu a frustração: “Foi um fim-de-semana muito difícil, estava com limitações físicas evidentes e, em determinado momento, tornou-se impossível continuar. Tive de ouvir o corpo e tomar a decisão de parar antes de comprometer ainda mais a recuperação.” Estas palavras, proferidas na zona mista após abandonar a prova, dão a entender que o piloto não está ainda a cem por cento e que o regresso só foi importante na medida em que o piloto pôde retomar as sensações aos comandos da BMW M1000 RR antes de regressar em pleno.
Tudo indica que Oliveira possa recuperar a tempo de apresentar uma prestação condizente com o seu valor nas etapas seguintes do Mundial de Superbikes. Para já, a BMW vê-se forçada a gerir com cautela o regresso progressivo do seu piloto mais mediático. Os adeptos portugueses aguardam com expectativa, mas também com preocupação, o desenrolar da época, sabendo que cada corrida poderá ser decisiva tanto para o futuro desportivo de Miguel Oliveira como para o posicionamento da BMW no campeonato.

