A segurança dos utilizadores de moto continua a ser uma das grandes preocupações nas estradas espanholas, sobretudo nas vias secundárias e nos troços mais sinuosos. É precisamente nas curvas que uma trajetória incorreta pode aumentar significativamente o risco de colisão com veículos que circulam em sentido contrário, levando as autoridades a procurar novas soluções para ajudar os condutores a posicionarem-se de forma mais segura.
Uma dessas soluções passa por uma sinalização pouco habitual: círculos brancos pintados diretamente no asfalto, junto à linha central da estrada. A medida, já testada em algumas estradas espanholas, é especificamente pensada para os utilizadores de moto e pretende corrigir um dos erros mais perigosos na abordagem às curvas: entrar demasiado próximo do centro da faixa e acabar por invadir a trajetória do trânsito em sentido contrário.
Os círculos indicam onde não deve passar a moto
Apesar de poderem parecer uma indicação para seguir determinada trajetória, a lógica destes círculos é precisamente a contrária. O objetivo é que o motorista de moto se mantenha afastado das marcas, utilizando a parte exterior da sua faixa de rodagem. Assim, fica disponível uma margem de segurança maior relativamente à linha central e ao trânsito que circula no sentido contrário.
A marcação funciona também como um alerta visual para a própria curva. Ao encontrar os círculos no asfalto, o condutor é levado a perceber que está perante um troço que exige maior atenção, convidando a reduzir a velocidade e a adotar uma trajetória mais conservadora.
A importância desta solução está relacionada com a própria dinâmica de uma moto em curva. À medida que a inclinação aumenta, a trajetória ocupada pela moto e pelo próprio corpo do condutor pode aproximar-se da linha central. Uma trajetória demasiado aberta ou uma entrada excessivamente rápida pode, por isso, reduzir perigosamente a distância disponível para um veículo que apareça em sentido contrário.
A ideia foi testada primeiro na Áustria
A solução não nasceu em Espanha. A Áustria utiliza este tipo de marcação há vários anos, tendo iniciado os primeiros testes em 2016 no âmbito de programas destinados a melhorar a segurança dos utilizadores de moto.
Os resultados obtidos nesses ensaios são uma das razões pelas quais a solução despertou interesse noutros países europeus. De acordo com os dados divulgados pelo KFV, organismo austríaco dedicado à segurança rodoviária, os troços onde foram instalados os círculos registaram reduções dos acidentes com motos que chegaram aos 80%.
A dimensão desse resultado ajuda a explicar por que motivo uma marcação tão simples ganhou atenção. Em vez de depender exclusivamente de sinais verticais ou de recomendações genéricas para reduzir a velocidade, os círculos atuam diretamente no local onde o erro pode acontecer, fornecendo ao condutor uma referência visual no próprio momento em que está a negociar a curva.
Espanha começou a testar o sistema em 2024
A experiência austríaca acabou por ser seguida em Espanha. O Servei Català de Trànsit realizou os primeiros testes em 2024, utilizando precisamente o modelo desenvolvido na Áustria para avaliar a sua eficácia nas estradas espanholas.
A medida surge num contexto particularmente preocupante para os utilizadores de moto. Em 2025, morreram 304 motoristas de moto em Espanha, o valor mais elevado da última década, reforçando a necessidade de encontrar soluções que permitam reduzir a gravidade e a frequência dos acidentes, sobretudo nas estradas secundárias.
Os círculos brancos não constituem, naturalmente, uma solução isolada para o problema da sinistralidade. A velocidade, a experiência do condutor, as condições da estrada, o estado do piso e a circulação de outros veículos continuam a desempenhar um papel fundamental. A intenção é acrescentar mais uma ferramenta à infraestrutura rodoviária para ajudar a reduzir um dos riscos associados à condução em curva.
Uma solução simples que poderá chegar a mais estradas
A grande questão passa agora por perceber se os resultados registados na Áustria podem ser reproduzidos em Espanha. Se a redução dos acidentes observada nos ensaios austríacos se confirmar em condições semelhantes, os círculos brancos poderão ganhar espaço como uma solução relativamente simples e pouco intrusiva para melhorar a segurança dos motoristas de moto.
A medida enquadra-se numa estratégia mais ampla de procura de soluções específicas para os utilizadores de duas rodas. Nos últimos anos têm sido experimentadas diferentes formas de sinalização horizontal e referências visuais destinadas a melhorar o posicionamento das motos e a alertar para zonas de maior risco.
Para já, os círculos continuam a ser uma solução em avaliação. Mas a experiência austríaca, com reduções de acidentes que chegaram aos 80% em determinados troços, explica por que motivo esta marcação aparentemente discreta está a despertar tanta atenção. Se os testes realizados em Espanha confirmarem os benefícios, estas marcas brancas poderão tornar-se uma presença habitual nas curvas mais perigosas das estradas do país.


