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Honda Forza 750: o que «ganha» e «perde» quem troca uma moto por uma maxiscooter?

Publicado a 19 de Outubro de 2026, às 17h42  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Motor bicilíndrico de 745 cm³ com transmissão automática DCT de seis velocidades, sem manete de embraiagem nem pedal de caixa.
  • Peso de 236 kg com depósito cheio, banco a 790 mm do solo e carenagem com para-brisas de regulação elétrica.
  • Potência de 43,1 kW (58,6 cv) às 6.750 rpm e 69 Nm às 4.750 rpm, com autonomia potencial de cerca de 370 km.

Trocar uma moto de turismo por uma maxiscooter como a Honda Forza 750 significa mudar mais do que a forma de passar as mudanças. A Forza combina um motor bicilíndrico de 745 cm³, transmissão automática de dupla embraiagem DCT e proteção aerodinâmica com uma posição de condução descontraída e espaço de arrumação integrado. Em contrapartida, o compartimento sob o banco não substitui a capacidade de bagagem de uma moto de turismo equipada com malas, e a arquitetura da maxiscooter condiciona a posição dos pés e a liberdade de movimentos.

A maior diferença surge na utilização diária. Na Forza 750, a transmissão DCT de seis velocidades gere automaticamente as mudanças, permitindo arrancar e circular sem manete de embraiagem nem pedal de caixa. O condutor pode selecionar modos de condução como RAIN, STANDARD e SPORT, além de um modo USER personalizável, que ajustam a resposta do acelerador e o funcionamento da transmissão. No trânsito, esta solução reduz o trabalho repetitivo de controlar a embraiagem e escolher a mudança, embora o peso de 236 kg com o depósito cheio e a largura do conjunto continuem a exigir atenção em manobras lentas e espaços apertados.

A proteção contra o vento e a chuva é outra vantagem importante. A carenagem envolve a zona dianteira, o para-brisas tem regulação elétrica e as plataformas permitem variar a posição das pernas mais do que numa moto com pousa-pés convencionais. O banco está a 790 mm do solo, e o guiador favorece uma postura direita. Numa deslocação longa, estes elementos podem reduzir a exposição ao vento e tornar mais fácil alternar a posição das pernas. Ainda assim, o conforto é pessoal: a altura do condutor, a forma do banco e a duração da viagem podem alterar bastante a experiência, pelo que um teste antes da compra continua a ser essencial.

A Forza também tem argumentos para viajar. O motor debita 43,1 kW (58,6 cv) às 6.750 rpm e 69 Nm às 4.750 rpm na versão sem restrição, com uma variante de 35 kW para carta A2. O controlo de velocidade de cruzeiro é de série e o consumo anunciado é de 3,6 l/100 km, com um depósito de 13,2 litros. A Honda indica uma autonomia potencial de cerca de 370 km com base nos valores de consumo e capacidade do depósito; na prática, a distância entre abastecimentos depende do ritmo, do trânsito, da carga e das condições de utilização. A Forza consegue, por isso, fazer autoestrada e viagens entre cidades sem deixar de ser uma maxiscooter pensada também para a rotina diária.

O que se perde face a uma moto de turismo depende muito do modelo usado como referência. Uma touring ou sport-touring pode oferecer maior capacidade de bagagem com malas laterais e top case, mais opções de ergonomia e uma posição dos pés que permite maior liberdade de movimentos. Numa moto convencional, o condutor também controla diretamente a embraiagem e as mudanças, algo que pode interessar a quem prefere maior envolvimento mecânico. A Forza 750, por seu lado, oferece apenas o espaço sob o banco para um capacete integral, além de um porta-luvas, pelo que uma viagem com equipamento para duas pessoas ou bagagem volumosa pode exigir acessórios adicionais. A disponibilidade de malas e top case ajuda a resolver parte desta limitação, mas aumenta o custo e o volume do conjunto.

Também não se deve assumir que uma maxiscooter é sempre mais fácil de conduzir em cidade. A DCT simplifica a operação da transmissão, mas os 236 kg, o comprimento de 2.200 mm e a largura de 790 mm podem tornar as manobras entre carros mais exigentes do que numa scooter mais pequena. Em estrada aberta, a estabilidade, o motor e a proteção aerodinâmica jogam a favor da Forza; em estradas muito sinuosas, a experiência dependerá das preferências do condutor e do tipo de moto de turismo que está a considerar substituir. A Forza tem jante dianteira de 17 polegadas, forquilha invertida Showa de 41 mm e travagem dianteira com dois discos de 310 mm e pinças radiais de quatro pistões, especificações que ajudam a explicar por que razão a sua condução se aproxima mais da de uma moto do que a de uma scooter urbana convencional.

A decisão resume-se à prioridade de utilização. Para quem alterna diariamente entre trânsito, vias rápidas e passeios de fim de semana, valoriza a transmissão automática, a proteção contra os elementos e a facilidade de arrumação, a Honda Forza 750 pode substituir uma moto de turismo em muitas situações. Para quem faz viagens longas com passageiro e muita bagagem, procura autonomia de posição durante várias horas ou prefere a ligação tradicional entre acelerador, embraiagem e caixa, uma moto touring continua a ter vantagens claras. A Forza não é uma substituta universal: é uma alternativa de turismo com uma abordagem mais prática e automática, cujo valor depende do equilíbrio entre conforto, bagagem e tipo de percurso.

Ficha técnica

Motor
Bicilíndrico de 745 cm³
Potencia
43,1 kW (58,6 cv) às 6.750 rpm
Binario
69 Nm às 4.750 rpm
Transmissao
Automática DCT de seis velocidades
Peso
236 kg com depósito cheio
Autonomia
Cerca de 370 km (potencial)
Consumo
3,6 l/100 km
Depósito
13,2 litros
Banco
790 mm de altura
Rodas
Jante dianteira de 17 polegadas
Suspensao
Forquilha invertida Showa de 41 mm
Travagem
Dianteira com dois discos de 310 mm e pinças radiais de quatro pistões

Redação

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