Publicidade
Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026 MotoGP em directo
Motociclismo
Notícias

Gonçalo Capote estreia-se com a Yamaha YZF-R9 no WorldSSP: Conheça a base da versão de competição

Publicado a 9 de Outubro de 2026, às 10h53  ·  7 min de leitura

O essencial

  • A Yamaha YZF-R9 é uma Supersport de 890 cc com motor tricilíndrico de 119 cv e chassis Deltabox em alumínio.
  • Gonçalo Capote fará a sua estreia como wildcard no Mundial de Supersport este fim de semana no Circuito do Estoril.
  • A R9 oferece uma versão limitada a 35 kW (47,6 cv) para titulares da carta A2.

A Yamaha YZF-R9 é a Supersport de 890 cc que combina um motor tricilíndrico de 119 cv com um chassis leve, travões Brembo e eletrónica desenvolvida para uma condução desportiva. É também a moto escolhida pelo português Gonçalo Capote para a sua estreia como wildcard no Mundial de Supersport, este fim de semana, no Circuito do Estoril, colocando em destaque um modelo de 2026 que representa uma nova abordagem da Yamaha ao segmento das desportivas de média cilindrada.

Uma nova interpretação da filosofia R

A família R ocupa um lugar central na identidade desportiva da Yamaha, com soluções técnicas e elementos de design inspirados na experiência da marca nas competições internacionais. A YZF-R9 mantém essa ligação às pistas, mas adapta-a a uma categoria em que a agilidade, a disponibilidade de binário e a facilidade de utilização são tão importantes como a potência máxima. Em vez de apostar num motor de quatro cilindros de elevada rotação, a Yamaha recorre ao conhecido tricilíndrico CP3, uma arquitetura que combina uma resposta enérgica com uma entrega de potência progressiva e um carácter particularmente forte nas rotações intermédias.

O motor de 890 cc desenvolve 119 cv às 10.000 rpm e um binário máximo de 93 Nm às 7.000 rpm, valores que ajudam a explicar a vocação desportiva da R9 sem a obrigarem a depender exclusivamente de regimes elevados. A caixa de seis velocidades inclui o sistema Quick Shift de terceira geração, que permite subir e reduzir relações sem utilizar a embraiagem. Esta combinação procura oferecer uma condução eficaz tanto em estrada como em circuito, mantendo a personalidade do motor tricilíndrico que tem marcado diferentes modelos da gama Yamaha.

Chassis leve e aerodinâmica desenvolvida para a estabilidade

A base da R9 é um quadro Deltabox em alumínio, desenvolvido especificamente para este modelo e com um peso declarado de apenas 9,7 kg. A Yamaha ajustou a rigidez do conjunto para procurar um equilíbrio entre estabilidade e agilidade, contribuindo para um peso total de 195 kg, incluindo óleo e combustível. A distância entre eixos de 1.420 mm e a geometria da direção foram definidas para responder às exigências de uma condução desportiva, sem perder de vista a utilização fora do circuito.

A carenagem segue a linguagem visual da família R e integra soluções aerodinâmicas desenvolvidas através de testes em túnel de vento. Os defletores situados por baixo das luzes dianteiras ajudam a reduzir a elevação da frente, enquanto as asas aerodinâmicas e o spoiler inferior contribuem para aumentar a carga aerodinâmica. Segundo os dados técnicos da Yamaha, as asas podem reduzir a elevação da roda dianteira entre 6 e 7% em linha reta; quando combinadas com o spoiler dianteiro, a redução pode chegar a cerca de 10% em curva. O objetivo é melhorar o contacto do pneu dianteiro com o asfalto e proporcionar maior confiança quando o ritmo aumenta.

A suspensão também reflete esta orientação. Na dianteira, a R9 utiliza uma forquilha invertida KYB de 43 mm, totalmente ajustável, com regulação independente da compressão e do ressalto. Atrás, o amortecedor permite ajustar a pré-carga, o amortecimento e a altura de condução. A travagem fica a cargo de dois discos dianteiros de 320 mm, associados a pinças monobloco Brembo Stylema e a um cilindro mestre radial da mesma marca. Os tubos de travão em malha de aço completam um conjunto pensado para oferecer uma resposta consistente, sobretudo nas travagens mais exigentes em circuito.

Eletrónica que permite adaptar a moto ao piloto

A componente eletrónica é outro dos elementos centrais da YZF-R9. Os quatro modos de entrega de potência permitem ajustar a resposta do motor às condições de condução, enquanto o controlo de elevação da roda dianteira ajuda a gerir a aceleração. O sistema de controlo de arranque, inspirado na competição, procura tornar as partidas mais rápidas e eficazes, sobretudo em ambiente de pista.

A Yamaha inclui ainda duas configurações para gerir o efeito de travão-motor. O sistema regulador de derrapagem traseira, por sua vez, controla o binário do motor quando uma travagem excessiva do mesmo ameaça comprometer a estabilidade da roda traseira, uma ajuda especialmente relevante em condições de aderência reduzida. Estas tecnologias não substituem a experiência do condutor, mas permitem ajustar o comportamento da moto e gerir com maior precisão as diferentes fases da condução desportiva.

O equipamento inclui igualmente um painel TFT a cores de cinco polegadas, com quatro temas selecionáveis e um modo de pista que apresenta informação relevante para a utilização em circuito, incluindo o cronómetro por volta. A conectividade com a aplicação MyRide da Yamaha permite associar um smartphone e consultar notificações no painel. A posição de condução, com avanços desportivos, as manetes ajustáveis e os pneus Bridgestone Battlax Hypersport RS11 reforçam a orientação da R9 para quem procura uma experiência de condução mais próxima da competição.

Uma Supersport também acessível a titulares da carta A2

Apesar da sua orientação desportiva, a Yamaha YZF-R9 não se destina exclusivamente a condutores com carta de condução da categoria A. O modelo dispõe também de uma versão limitada a 35 kW, equivalente a 47,6 cv, que pode ser conduzida por titulares da carta A2, desde que cumpridos os restantes requisitos legais aplicáveis.

Esta possibilidade alarga o público potencial da R9, permitindo que condutores habilitados para motos de potência limitada tenham acesso à mesma plataforma, ao chassis dedicado e à arquitetura tricilíndrica. Na versão de potência total, a R9 debita 119 cv, enquanto a variante limitada tem uma potência máxima declarada de 35 kW às 6.000 rpm. A escolha entre versões deve ter em conta a habilitação legal do condutor e as condições de utilização pretendidas.

Com 830 mm de altura do assento, um depósito de combustível de 14 litros e um peso de 195 kg em ordem de marcha, a R9 assume um posicionamento claramente desportivo. Não é uma moto concebida para privilegiar o conforto de uma touring ou a versatilidade de uma crossover, mas sim para combinar prestações, precisão de condução e tecnologia num formato Supersport que continua a ser utilizável em estrada.

Gonçalo Capote leva a R9 ao Mundial de Supersport

A participação de Gonçalo Capote como wildcard no Mundial de Supersport, no Circuito do Estoril, dá um enquadramento particularmente relevante à YZF-R9. A presença do piloto português permite observar o modelo num contexto competitivo internacional, onde o chassis, a travagem, a aerodinâmica e a capacidade de explorar o motor são postos à prova em condições muito diferentes das encontradas na utilização quotidiana.

A moto que serve de base à sua participação pertence à mesma família técnica da versão de estrada disponível nos concessionários, embora uma máquina preparada para competir num campeonato mundial esteja sujeita às adaptações e aos regulamentos específicos da categoria. Por isso, a experiência em pista ajuda a demonstrar a vocação desportiva do projeto, mas não significa que a moto de competição seja idêntica à versão comercial.

A YZF-R9 representa, assim, uma evolução da fórmula Supersport da Yamaha: mantém o ADN visual e desportivo da família R, utiliza o motor CP3 de 890 cc e combina-o com um chassis dedicado, componentes de travagem de elevada especificação e sistemas eletrónicos ajustáveis. A possibilidade de escolher uma versão de 35 kW para a carta A2 acrescenta uma dimensão prática a um modelo que, com a estreia de Gonçalo Capote no Estoril, encontra também uma montra competitiva para demonstrar a sua ligação às pistas.

Preços em Portugal

A Yamaha é comercializada em Portugal com o preço a começar nos 13 700€, sendo que existem duas cores disponíveis: Icon Blue e Tech Black, além da cor especial Anniversary White, com um aumento em 400€ face o preço base.

Imagens: Yamaha

Ficha técnica

Motor
Tricilíndrico CP3
Cilindrada
890 cc
Potencia
119 cv às 10.000 rpm
Binario
93 Nm às 7.000 rpm
Transmissao
Caixa de seis velocidades com Quick Shift
Quadro
Deltabox em alumínio, 9,7 kg
Suspensao
Forquilha KYB invertida 43 mm e amortecedor traseiro ajustável
Travagem
Dois discos dianteiros 320 mm, pinças Brembo Stylema
Peso
195 kg em ordem de marcha
Equipamento
Painel TFT 5 polegadas, pneus Bridgestone Battlax Hypersport RS11

Redação

Motociclismo  ·  106 artigos

O que é esta assinatura. Os artigos assinados pela Redação são escritos pelos colaboradores do Motociclismo, com a redação permanente, e são revistos e confirmados por Vítor Sousa, diretor-executivo, antes de serem publicados.

Leia também

O essencial das
duas rodas, cada manhã.

Uma carta por dia, com o que saiu e o que interessa.