À primeira vista, parece apenas mais uma desportiva de média cilindrada a tentar conquistar espaço no mercado europeu. Mas a chamada K750 é, na verdade, um exemplo quase didático de como a globalização industrial nas motos funciona hoje: a mesma base técnica, o mesmo desenho e a mesma produção, mas nomes, discursos e preços diferentes conforme o país onde é apresentada.
Na Europa central, a moto surge como Mash K750, anunciada como uma das grandes apostas da marca francesa para 2026. Noutros mercados, a mesma máquina é vendida sob outras insígnias, sem alterações relevantes no produto final. A origem, contudo, é comum: a produção está a cargo da chinesa Jedi, onde o modelo é conhecido como K750 Pro e comercializado a um valor bastante inferior ao praticado no Velho Continente.

Do ponto de vista estético, a K750 aposta forte no impacto visual. Apesar da fabricação asiática, o desenho tem assinatura europeia, com linhas desenvolvidas pelo estúdio italiano Marabese. O elemento mais distintivo é o basculante monobraço em alumínio, um detalhe pouco habitual neste segmento e que contribui para uma perceção visual muito mais premium do que o posicionamento real da moto sugere.
O motor é um bicilíndrico de 730 cc, afinado com o apoio da suíça Suter Racing, o que reforça esta mistura internacional que define o modelo. Ainda assim, os números variam conforme o mercado: enquanto algumas versões anunciam 82 cv, outras ficam-se pelos 75 cv, diferenças que poderão estar relacionadas com opções de homologação ou estratégias comerciais mais conservadoras.
Na parte ciclo, a K750 tenta equilibrar um peso elevado — anunciado em 217 kg com o depósito cheio — com componentes de marcas reconhecidas. O sistema de travagem é Brembo, o ABS é Bosch e os pneus de origem são Michelin Road 6. Soma-se ainda uma dotação tecnológica aceitável, com ecrã TFT com conectividade, chave inteligente e monitorização da pressão dos pneus.


Onde o seu posicionamento económico se torna mais evidente é nas ausências. Não há acelerador eletrónico, modos de condução ou controlo de tração, e o quickshifter não faz parte do equipamento de série. É uma moto que aposta mais na imagem, no preço e na simplicidade técnica do que numa abordagem desportiva de última geração.
No fim de contas, a K750 é uma proposta honesta dentro da sua lógica. Não importa muito o logótipo no depósito: trata-se sempre da mesma moto, com os mesmos pontos fortes e limitações. Para quem valoriza o design e procura uma desportiva visualmente apelativa sem entrar em valores elevados, pode ser uma opção interessante — desde que o comprador saiba exatamente o que está, de facto, a levar para casa.

Imagens: Mash











