A Suzuki deu um passo significativo na preparação para o futuro da mobilidade elétrica ao confirmar a aquisição da empresa tecnológica Kanadevia. A operação foi anunciada no início de março pelo presidente da marca, Toshihiro Suzuki, e deverá tornar-se efetiva a partir de 1 de julho.
O acordo envolve a integração completa das atividades da empresa, incluindo investigação, desenvolvimento, design e comercialização da tecnologia. Embora o valor da aquisição não tenha sido divulgado, o objetivo da Suzuki é claro: garantir acesso direto ao desenvolvimento de baterias de estado sólido, uma das soluções consideradas mais promissoras para a próxima geração de veículos elétricos.
Fundada com foco em aplicações tecnológicas exigentes, a Kanadevia trabalha no desenvolvimento de baterias de estado sólido desde 2006. A empresa tem concentrado parte da sua investigação em setores como o aeroespacial, onde os sistemas energéticos precisam de funcionar de forma fiável em condições extremas de temperatura e operação.
Esta tecnologia distingue-se das atuais baterias de iões de lítio por substituir o eletrólito líquido por um material sólido. Na prática, esta solução pode reduzir significativamente o risco de incêndio, ao mesmo tempo que promete maior densidade energética, tempos de carregamento mais rápidos e melhor desempenho em ambientes com temperaturas extremas.
Apesar do potencial, as baterias de estado sólido ainda não chegaram à produção em massa no setor automóvel ou das duas rodas. Com esta aquisição, a Suzuki posiciona-se para acompanhar de perto o desenvolvimento desta tecnologia e garantir competências próprias numa área que poderá tornar-se decisiva na transição energética da indústria.
Atualmente, a presença elétrica da marca no segmento das duas rodas ainda é limitada. O principal exemplo é o Suzuki e-Address, um scooter elétrico equipado com uma bateria de 3,07 kWh, autonomia aproximada de 80 km e uma potência de cerca de 4 kW (5,5 cv).
Ao mesmo tempo, a estratégia da Suzuki passa por explorar diferentes caminhos tecnológicos. Além da investigação em baterias avançadas, a marca tem trabalhado em combustíveis alternativos como o bioetanol e em soluções experimentais baseadas em combustíveis derivados de resíduos orgânicos, particularmente em mercados como a Índia.
Embora a aquisição da Kanadevia não signifique que motos elétricas com baterias de estado sólido estejam prestes a chegar ao mercado, a decisão coloca a Suzuki numa posição mais sólida para acompanhar a evolução da indústria e preparar-se para a próxima fase da eletrificação.












