Patritalia S.p.A diz ter apresentado uma proposta para comprar Ducati, mas Volkswagen e Ducati negam conhecer a oferta

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A Ducati poderá estar no centro de uma nova tentativa de regresso de uma marca italiana às mãos de investidores italianos, mas a alegada proposta de aquisição apresentada pela Patritalia S.p.A permanece envolta em incerteza. A empresa de investimento italiana afirma ter apresentado uma oferta para comprar 100% da Ducati Motor Holding S.p.A ao Grupo Volkswagen, enquanto a Ducati e a Volkswagen garantem não ter conhecimento de qualquer proposta formal.

A notícia surgiu depois de a Patritalia S.p.A, uma empresa criada recentemente com o objetivo declarado de recuperar marcas italianas atualmente controladas por grupos estrangeiros, ter afirmado que apresentou uma proposta para adquirir a Ducati ao fabricante alemão. A empresa defende que pretende devolver ao controlo italiano marcas consideradas parte da identidade industrial e cultural do país.

Manuel Ros, presidente da Patritalia S.p.A, confirmou à RideApart que a empresa avançou com uma proposta, afirmando: “Posso confirmar que os rumores têm fundamento. A Patritalia S.p.A manifestou formalmente o seu interesse e está totalmente preparada para adquirir 100% da Ducati Motor Holding S.p.A.”

Segundo Ros, a criação da empresa teve como objetivo recuperar empresas italianas que passaram para mãos estrangeiras. “A única missão que defini para a criação da Patritalia é ‘trazer de volta para casa’ as nossas empresas italianas e marcas icónicas italianas que estão atualmente sob propriedade estrangeira e devolvê-las ao controlo italiano. O nosso objetivo é promover uma forma de recuperação industrial, permitindo que estas marcas históricas sejam novamente orientadas pela visão, cultura e criatividade italianas, com o objetivo de restaurar a alma do espírito empresarial italiano”, explicou.

A possível venda da Ducati surge num momento em que o Grupo Volkswagen está a analisar a sua estrutura empresarial e a avaliar diferentes caminhos para aumentar o valor dos seus ativos. Nos últimos meses, surgiram vários rumores sobre uma eventual venda de algumas marcas pertencentes ao grupo alemão, incluindo Ducati e Lamborghini.

Apesar disso, a Volkswagen e a Ducati rejeitam a existência de uma negociação confirmada. Uma declaração enviada pela Ducati North America, em representação do CEO Jason Chinnock, sublinha a força atual da marca italiana.

“A Ducati é uma empresa altamente bem-sucedida e encontra-se numa posição extremamente forte. A marca possui uma gama de produtos moderna e altamente competitiva, alcança consistentemente resultados excecionais em testes comparativos, regista níveis extraordinários de satisfação e recomendação por parte dos clientes e beneficia de uma comunidade de fãs extremamente leal. Além disso, a Ducati continua a alcançar um sucesso significativo nas competições internacionais de motociclismo, tanto no MotoGP como no Campeonato do Mundo de Superbike.”

A mesma declaração aborda também a posição do Grupo Volkswagen relativamente à gestão das suas empresas.

“O Grupo Volkswagen, tal como acontece com todas as suas participações, analisa regularmente o seu portefólio de negócios. Como parte da estratégia definida pelo Group Target Picture, o Grupo está a dar particular importância ao seu negócio automóvel principal. Neste contexto, avalia continuamente de que forma os investimentos podem contribuir melhor para o sucesso global do Grupo. Isto inclui também avaliar qual a estrutura de propriedade que pode criar maior valor a longo prazo para cada empresa.”

A Ducati North America acrescentou ainda: “Não tenho conhecimento de qualquer oferta que tenha sido apresentada ao Grupo. Para além disso, não comentamos rumores ou especulação de mercado.”

Também a Volkswagen tinha anteriormente indicado que nenhuma decisão sobre uma venda da Ducati tinha sido tomada. Um porta-voz do grupo afirmou: “A Ducati é uma empresa forte e bem-sucedida. As revisões de portefólio fazem parte de uma gestão responsável do Grupo. Nenhuma decisão foi atualmente tomada relativamente a uma venda da Ducati.”

Apesar das declarações da Patritalia S.p.A, continuam a existir dúvidas sobre os detalhes da alegada proposta. A empresa não revelou publicamente o valor oferecido nem apresentou provas da receção formal da proposta por parte da Volkswagen. A própria informação inicial sobre a possível venda baseava-se numa fonte anónima dentro da Ducati, sem identificação ou documentação que confirmasse a existência de negociações.

Manuel Ros garante, contudo, que a proposta foi apresentada e que a intenção vai além de uma simples aquisição financeira. “Apresentámos formalmente a nossa manifestação de interesse juntamente com uma oferta substancial, não apenas para adquirir 100% da empresa, mas também para revitalizar a Ducati, investir no seu futuro e criar novas oportunidades para a próxima geração de talento italiano.”

O responsável da Patritalia acrescentou ainda que existe um plano de expansão para a marca. “Temos um grande plano de expansão para a Ducati. Gostaríamos de transformar a marca atual num legado, reforçando o investimento e expandindo para outras categorias como Moto2, Moto3 e Supermotard, enquanto abrimos o acesso à marca a um público muito mais vasto através de novos segmentos.”

Ros afirmou igualmente que a proposta atual está centrada na Ducati, embora admita interesse noutras marcas italianas do grupo Volkswagen. “Posso simplesmente confirmar que a Patritalia manifestou formalmente o seu interesse em adquirir ativos italianos atualmente pertencentes à Volkswagen e à Audi, incluindo a Ducati. Para além disso, embora também gostaríamos de adquirir a Lamborghini e a tenhamos incluído nos nossos planos estratégicos de longo prazo, neste momento isso permanece apenas uma aspiração.”

Até ao momento, a Patritalia S.p.A continua a ser a única entidade a confirmar publicamente a existência de uma proposta pela Ducati. A Volkswagen mantém que não existe qualquer decisão de venda e a Ducati reforça a sua posição como uma das marcas mais fortes do universo das duas rodas. Caso a proposta exista efetivamente, o futuro da Ducati dependerá agora das decisões estratégicas do Grupo Volkswagen e da capacidade da Patritalia em demonstrar que poderá concretizar o regresso de uma das marcas italianas mais emblemáticas ao controlo nacional.

Fonte: RideApart

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