O setor europeu das motos e scooters elétricas atravessa novamente um momento delicado. Em 2025, os registos na Europa Ocidental ficaram abaixo das 90.000 unidades, traduzindo uma contração significativa face ao ano anterior e confirmando a dificuldade em transformar este segmento numa alternativa de massa dentro da mobilidade urbana.
Este abrandamento é particularmente relevante num continente onde as duas rodas têm um peso histórico na deslocação diária, sobretudo nas grandes cidades. Congestionamento, custos de utilização e metas ambientais tornam as motos e scooters numa solução lógica, mas essa realidade continua a não ser plenamente assumida pelas instituições europeias.
Ao nível comunitário, os veículos elétricos de duas rodas permanecem fora de uma estratégia clara que articule objetivos climáticos com política industrial. Enquanto o automóvel elétrico beneficia de planos estruturados, incentivos consistentes e investimento direcionado, as motos elétricas continuam num limbo regulatório, sem uma visão de longo prazo que sustente o crescimento do mercado.
Nos Estados-membros, o cenário pouco melhora. As iniciativas existentes surgem de forma dispersa, muitas vezes limitadas a apoios pontuais ao comprador final definidos por autarquias ou regiões. Estas medidas têm impacto reduzido na criação de escala, não oferecem previsibilidade aos fabricantes e falham em estimular uma cadeia de valor europeia sólida.
Como resultado, o mercado avança de forma lenta e desigual. O investimento permanece contido e a inovação tende a concentrar-se fora da Europa. Em contraste, países asiáticos como a China têm apostado fortemente na produção em larga escala, no desenvolvimento tecnológico acelerado e no apoio estatal ao setor, criando condições para dominar mercados emergentes.
Noutras geografias, incluindo o Sudeste Asiático, a América Latina e partes de África, os governos adotaram políticas industriais mais agressivas. Incentivos à produção local, exigências de fabrico interno e mecanismos de proteção comercial têm permitido o crescimento rápido do setor, ao mesmo tempo que fortalecem as indústrias nacionais.
A Europa, sem uma resposta equivalente, arrisca-se a tornar-se sobretudo um destino de consumo. Este movimento já é visível, com marcas de origem chinesa a ocuparem posições de destaque nas vendas de motos e scooters elétricas, mesmo num mercado ainda pouco maduro e fragmentado.
Para os decisores europeus, o sinal é claro. Ainda existe espaço para construir uma indústria competitiva de motos elétricas no continente, mas esse espaço está a reduzir-se. Será necessário reconhecer o papel estratégico das duas rodas na mobilidade sustentável, alinhar incentivos ao consumidor com objetivos industriais, apoiar a produção local e garantir condições de concorrência equilibradas.
Sem uma mudança de rumo, a Europa corre o risco de perder mais um setor relevante da mobilidade, precisamente num momento em que as motos elétricas poderiam contribuir de forma decisiva para cidades mais limpas, eficientes e acessíveis.













