Mercado de motos do Sudeste Asiático cresce 5,2% e supera 7,8 milhões de unidades no primeiro semestre de 2026

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O mercado de motos do Sudeste Asiático manteve a trajetória de recuperação em 2026, com as vendas de motos, scooters e ciclomotores a ultrapassarem 7,8 milhões de unidades no primeiro semestre, um crescimento de 5,2% face ao mesmo período anterior. O Vietname e a Malásia foram os mercados que mais contribuíram para este avanço, enquanto a região continua a aproximar-se dos níveis registados antes da pandemia.

A análise abrange os principais mercados acompanhados na região: Tailândia, Malásia, Indonésia, Vietname, Filipinas, Singapura, Myanmar, Laos e Camboja. O valor regional de 7,8 milhões de unidades não inclui Myanmar, Laos e Brunei.

Vietname e Malásia lideram o crescimento

O Vietname apresentou um dos maiores crescimentos entre os grandes mercados, com as vendas a aumentarem 14,6%. O país, segundo maior mercado de duas rodas do Sudeste Asiático, está a beneficiar de uma forte expansão das motos elétricas, sem que isso tenha travado a procura por modelos com motores de combustão interna.

A Malásia também registou uma evolução expressiva, com um crescimento de 10%. Tal como no Vietname, o segmento elétrico está a ganhar importância e contribui para o aumento global das vendas.

Nas Filipinas, terceiro maior mercado regional, as vendas cresceram 5,5%, aproximando-se do máximo histórico de cerca de 2,5 milhões de unidades. A Tailândia, quarto maior mercado, registou uma recuperação mais moderada, de 1,4%, depois da forte quebra de 15,8% em 2024 e de um crescimento marginal em 2025.

Indonésia cresce pouco num cenário de incerteza elétrica

A Indonésia continua a ser o maior mercado de motos do Sudeste Asiático e o terceiro maior do mundo, mas apresentou apenas 0,5% de crescimento no primeiro semestre.

O desempenho é particularmente relevante no contexto da transição para a mobilidade elétrica. O segmento elétrico ainda não está a crescer de forma significativa depois de o novo governo, eleito em outubro de 2024, ter retirado incentivos climáticos anteriormente anunciados, criando maior incerteza em torno da evolução do mercado de veículos elétricos.

Singapura, o mais pequeno dos mercados acompanhados, manteve uma evolução estável, com um crescimento de 3,4%.

O mercado ainda não recuperou totalmente o pico de 2019

O crescimento atual representa mais um passo na recuperação iniciada depois da pandemia. O mercado de duas rodas do Sudeste Asiático atingiu o seu máximo histórico em 2019, quando ultrapassou os 16 milhões de unidades e representou aproximadamente 25% das vendas mundiais.

A pandemia provocou uma forte contração em 2020 e o setor demorou vários anos a recuperar. Em 2025, as vendas regionais voltaram a superar os 15 milhões de unidades, crescendo 4,3% face ao ano anterior, com sete dos nove mercados a registarem aumentos.

Os resultados da primeira metade de 2026 mostram que a recuperação ganhou velocidade. Oito dos nove países acompanhados registaram crescimento, com o Camboja a ser a única exceção, apresentando uma descida de 13%.

Myanmar e Laos também aceleram

Apesar de não estarem incluídos no total regional de 7,8 milhões de unidades utilizado nesta análise, Myanmar e Laos apresentam igualmente resultados relevantes.

Myanmar registou um crescimento impressionante de 78,6%, recuperando depois das fortes quedas verificadas nos anos anteriores. O Laos manteve uma trajetória positiva de dois dígitos, com um crescimento de 16,8%.

Estes resultados mostram que a recuperação não está limitada aos maiores mercados da região, embora existam diferenças significativas entre países no ritmo de crescimento e na adoção de motos elétricas.

A eletrificação pode definir a próxima fase do mercado

O mercado de duas rodas do Sudeste Asiático demonstra uma forte capacidade de recuperação, mas também está a tornar-se mais diversificado. O Vietname e a Malásia estão a acelerar na eletrificação, enquanto a Indonésia enfrenta maior incerteza relativamente aos incentivos e à estratégia para veículos elétricos.

Para os próximos meses, espera-se que o crescimento regional continue positivo, embora possa moderar. A procura interna, a urbanização e a necessidade de soluções de mobilidade acessíveis deverão continuar a sustentar as vendas.

A evolução futura dependerá, contudo, das políticas adotadas em cada país. Regras estáveis, investimento em infraestruturas e estratégias claras para a eletrificação poderão determinar quais os mercados que assumirão a liderança na próxima fase da indústria de duas rodas.

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