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KTM a inspirar a RIEJU NKD 125? Espanhola tem mais de 90 anos de história mas parece demasiado próxima 125 Duke

Publicado a 8 de Setembro de 2026, às 15h00  ·  4 min de leitura

O essencial

  • A RIEJU NKD 125 é uma naked de 125 cc que visualmente parece muito próxima da KTM 125 Duke, sobretudo nas proporções e linguagem visual.
  • A RIEJU nasceu em 1934 e tem mais de 90 anos de história, com tradição em motos ligeiras, ciclomotores, trial e enduro.
  • A NKD 125 é anunciada por 3.149 €, enquanto a KTM 125 Duke parte de 4.491 € no mercado europeu.
  • A NKD 125 utiliza motor monocilíndrico de 125 cc com refrigeração líquida, injeção eletrónica, caixa de seis velocidades, ABS e controlo de tração.

A semelhança com a KTM 125 Duke

A RIEJU NKD 125 chega ao mercado com argumentos interessantes para quem procura uma naked leve e acessível, mas há um detalhe impossível de ignorar: visualmente, a nova proposta espanhola parece demasiado próxima da KTM 125 Duke. A semelhança não está apenas num ou noutro elemento, mas numa combinação de proporções, depósito, quadro exposto, ótica dianteira angular, superfícies vincadas e traseira curta que faz com que a NKD 125 transmita imediatamente a mesma linguagem visual da conhecida naked austríaca. E a questão torna-se ainda mais curiosa quando se olha para a história da própria RIEJU.

A marca espanhola descreve a NKD 125 como uma naked de estética radical e personalidade marcada, e há efetivamente todos os ingredientes esperados numa pequena streetfighter moderna. A iluminação LED, as proteções laterais do depósito, o quadro tubular exposto, o pequeno spoiler inferior e a traseira compacta criam uma imagem agressiva, adequada ao segmento das 125 cc. O problema é que esta receita acaba por colocar a NKD 125 numa posição visual demasiado familiar quando comparada com a KTM 125 Duke, sobretudo pela forma como todos estes elementos são combinados.

Especificações técnicas próprias

Mecanicamente, porém, não estamos perante uma simples cópia da KTM. A RIEJU utiliza um motor monocilíndrico de 125 cc, com refrigeração líquida e injeção eletrónica, associado a uma caixa de seis velocidades. O conjunto inclui ainda um quadro tubular em aço de alta resistência, uma forquilha invertida de 41 mm, pinça dianteira Nissin de dois pistões, disco dianteiro de 320 mm, ABS e controlo de tração. Com uma altura do banco de 780 mm e um peso anunciado de 150 kg em seco, a NKD 125 procura também ser acessível a quem está a entrar no mundo das motos.

A KTM 125 Duke segue uma abordagem própria ao nível mecânico e de equipamento, com o seu monocilíndrico de 124,99 cc a produzir cerca de 15 cv, quadro principal em treliça de aço, subquadro em alumínio, forquilha WP Apex de 43 mm, pinça dianteira radial de quatro pistões e sistemas como ABS em curva e Supermoto ABS. Ou seja, apesar da evidente proximidade estética, existem diferenças importantes entre as duas motos. A questão não está tanto no que a RIEJU colocou debaixo da carroçaria, mas na escolha de uma linguagem visual que inevitavelmente conduz a comparações com a KTM.

Mais de 90 anos de história desprezados

E é precisamente aqui que a história da RIEJU torna esta situação mais difícil de ignorar. A empresa nasceu em 1934, quando Luis Riera Carré e Jaime Juanola Farrés começaram por fabricar acessórios para bicicletas, acabando por construir uma forte ligação ao mundo das motos ligeiras, ciclomotores, trial e enduro. Durante os anos 1980, as Marathon de competição contribuíram para nove títulos do Campeonato Espanhol de Enduro nas categorias de 74 e 80 cc. Estamos, portanto, perante um fabricante com décadas de experiência e uma identidade própria construída muito antes de a atual geração de pequenas naked agressivas existir.

A própria RIEJU tem ainda uma relação longa com as naked de 125 cc. Segundo a história da marca, a primeira NKD 125 surgiu em 2005 e foi seguida pela RS3 NKD em 2012, contribuindo para a posição da empresa no segmento das motos de 125 cc com caixa manual. Isto significa que a RIEJU não precisava de procurar inspiração exclusivamente no desenho de outro fabricante para entrar novamente neste mercado. Tinha história e experiência suficientes para desenvolver uma interpretação própria do conceito.

Isso não significa que a NKD 125 seja uma má proposta. Pelo contrário, a combinação de ABS, controlo de tração, suspensão dianteira invertida, iluminação LED e caixa de seis velocidades faz sentido para uma moto destinada sobretudo a pilotos mais jovens ou a quem procura uma primeira experiência com uma moto de caixa manual. A produção através de parceiros na China também se enquadra na procura de custos competitivos neste segmento, embora coloque a RIEJU numa realidade industrial diferente daquela que marcou parte da sua história.

O preço torna a proposta ainda mais interessante. A NKD 125 é anunciada por 3.149 €, enquanto a KTM 125 Duke parte de 4.491 € no mercado europeu referido na fonte. A diferença de mais de 1.300 € pode ser bastante relevante para quem está a comprar a primeira moto e procura o máximo de equipamento possível dentro de um orçamento limitado. Mas existe outra questão que nenhum catálogo consegue resolver: a perceção.

Porque, independentemente das diferenças técnicas e do preço, a NKD 125 será inevitavelmente comparada com a KTM 125 Duke sempre que as duas estiverem lado a lado. E talvez seja essa a maior oportunidade perdida pela RIEJU. Uma marca com mais de 90 anos de história, com tradição no enduro, trial e motos ligeiras, poderia ter utilizado esse património para criar uma identidade visual imediatamente reconhecível. A NKD 125 não precisava de parecer antiga ou retro. Precisava simplesmente de parecer mais RIEJU.

Imagens: RIEJU – RideApart

Ficha técnica

Motor
Monocilíndrico de 125 cc com refrigeração líquida
Transmissão
Caixa de seis velocidades
Suspensão
Forquilha invertida de 41 mm
Travagem
Pinça dianteira Nissin de dois pistões, disco dianteiro de 320 mm, ABS
Quadro
Tubular em aço de alta resistência
Peso
150 kg em seco
Altura do banco
780 mm
Equipamento
ABS, controlo de tração, iluminação LED
Preço
3.149 €

Redação

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