A Honda Motor Co., Ltd. voltou a escrever um capítulo histórico em 2025 ao alcançar 20,7 milhões de motos vendidas a nível mundial, um crescimento de 4,9% face ao anterior pico. O resultado marca cinco anos consecutivos de recuperação após o impacto abrupto da pandemia e reforça a posição da marca japonesa como líder absoluta global no setor das duas rodas.
O choque provocado pela COVID-19 interrompeu um ciclo de expansão sustentada, fazendo cair as vendas anuais para menos de 15 milhões de unidades, menos cerca de cinco milhões num único ano. A retoma, contudo, foi rápida e consistente. Desde então, a Honda consolidou a sua presença em praticamente todas as regiões estratégicas.
Crescimento transversal e liderança reforçada
A expansão em 2025 foi geograficamente abrangente. A América Latina destacou-se com um crescimento de 15,6%, enquanto a região ASEAN — responsável por quase metade do volume global da marca — registou um aumento de 3,2%. A Honda aproxima-se assim de um marco simbólico: atingir 10 milhões de unidades anuais naquela região até 2026.
Na Índia, após a forte recuperação de 2024 (+30,5%), o crescimento manteve-se em 2025 (+1,6%). Trata-se de um mercado crucial onde a Honda continua a disputar liderança com fabricantes locais, nomeadamente a Hero MotoCorp. Num movimento estratégico relevante, a marca anunciou a construção da maior fábrica dedicada a motos elétricas do mundo naquele país, com entrada em funcionamento prevista para 2026.
A Europa também surpreendeu positivamente. Num contexto de retração global do mercado, a Honda conseguiu crescer 4,3%, aumentando quota de mercado num cenário particularmente competitivo.
Transição elétrica ainda em fase inicial
Apesar dos números recorde, há um ponto sensível na estratégia da fabricante: a eletrificação. Em 2025, as vendas de modelos elétricos representaram apenas uma fração do total. A introdução de novas scooters elétricas já está em curso, sobretudo em mercados com maior rapidez de adoção, como o Vietname, mas a presença da Honda no segmento EV ainda é limitada quando comparada com vários concorrentes regionais e chineses.
A capacidade industrial, a diversificação geográfica e a escala global continuam a ser os grandes trunfos da marca. No entanto, a questão estratégica para o próximo ciclo é clara: conseguirá a Honda replicar no universo elétrico a mesma supremacia que construiu com motores de combustão interna, ou deixará espaço para que concorrentes mais agressivos assumam protagonismo nos segmentos de maior crescimento?
O próximo capítulo da liderança global da Honda poderá não depender apenas do volume, mas da velocidade com que transformar essa escala numa vantagem decisiva na era elétrica.
Source: McD












