A fabricante taiwanesa Gogoro atravessa um momento particularmente desafiante no mercado das duas rodas elétricas. De acordo com dados recentes do setor, as vendas globais da marca sofreram uma queda acentuada em 2025, totalizando apenas 29.691 unidades, o que representa uma diminuição de cerca de 44,9% face ao ano anterior.
O contraste com os primeiros anos da empresa é significativo. Em 2019, a Gogoro aproximou-se das 150.000 unidades vendidas, impulsionada sobretudo pelo sucesso no mercado doméstico de Taiwan. Na altura, o projeto destacava-se não apenas pelos scooters elétricos, mas também pelo inovador sistema de estações de troca de baterias, que prometia simplificar o carregamento e acelerar a adoção da mobilidade elétrica.
No entanto, o cenário começou a alterar-se nos anos seguintes. A redução de incentivos governamentais aos veículos elétricos em Taiwan teve impacto direto na procura, ao mesmo tempo que fabricantes locais responderam com estratégias mais agressivas em termos de preços e lançamento de novos modelos concorrentes.
Paralelamente, a empresa encontrou dificuldades em consolidar uma presença internacional sólida. Apesar de várias iniciativas para expandir o seu modelo de negócio para outros mercados, a rede global da marca nunca atingiu a dimensão necessária para compensar a desaceleração registada no mercado doméstico.
Como resultado, as vendas da Gogoro têm vindo a diminuir de forma consistente ao longo dos últimos anos, acumulando uma quebra significativa em comparação com os níveis registados no final da década passada. Em 2025, cerca de 99% das vendas continuaram concentradas em Taiwan, evidenciando a forte dependência do mercado local.
A evolução recente levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa em recuperar a posição que chegou a ocupar como uma das referências na mobilidade elétrica urbana, num setor que se tornou cada vez mais competitivo à escala global.












