102 milhões não são lucro. O que está em causa no MotoGP
O MotoGP Portugal 2025 terá gerado 102 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) para a economia portuguesa, segundo os resultados divulgados de um estudo da EY-Parthenon para a Parkalgar.
A mesma análise aponta 2024 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro, mas o relatório não foi consultado directamente.
O essencial
- Os resultados divulgados atribuem ao estudo da EY-Parthenon para a Parkalgar 102 milhões de euros de impacto no VAB português.
- A estimativa refere 2024 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro, não uma contagem confirmada de contratações permanentes.
- São indicadas aproximadamente 166 mil entradas e espectadores de 70 países; o relatório não foi consultado directamente.
Os valores divulgados atribuem ao Grande Prémio um impacto para lá da actividade desportiva. Devem ser lidos como resultados atribuídos ao estudo, não como números confirmados por uma análise independente dos cálculos.
A distinção começa no indicador principal. Os 102 milhões de euros dizem respeito ao Valor Acrescentado Bruto (VAB) da economia portuguesa, não a receitas de bilheteira ou a lucro anunciado pela organização. O valor também não corresponde a dinheiro recebido pelo Estado.
MotoGP Portugal 2025 e o emprego
O outro número central é o de 2024 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro. Esta unidade tem de acompanhar o valor, que não permite concluir que foram contratadas 2024 pessoas para empregos permanentes.
Sem consultar o relatório, o Motociclismo não confirmou o período de referência do emprego nem a metodologia de cálculo do VAB.
O Motociclismo não consultou directamente o estudo da EY-Parthenon nem verificou a metodologia. Por isso, atribui os resultados à análise e não os apresenta como uma contagem própria de emprego ou de riqueza gerada.
Os totais de VAB e emprego, por si só, não permitem calcular o retorno do investimento público.
Entradas não são visitantes únicos
Na assistência, os dados atribuídos ao estudo apontam para aproximadamente 166 mil entradas ao longo do fim de semana de competição. A palavra relevante é «entradas», pelo que o total não deve ser convertido em 166 mil pessoas diferentes.
A mesma informação refere espectadores de 70 países. Segundo os resultados divulgados, 40% do público era estrangeiro e 60% tinha origem em Portugal.
Estes números descrevem a composição da assistência, mas não bastam para calcular quantos turistas únicos viajaram para o país ou o total das suas dormidas.
O contexto das provas portuguesas
Na consulta feita pelo Motociclismo ao comunicado oficial do MotoGP, confirmou-se o acordo para manter o Grande Prémio de Portugal em Portimão até 2029. A estimativa económica da edição de 2025 acrescenta uma dimensão à discussão sobre a prova, para além dos resultados em pista.
Noutra competição internacional realizada em Portugal, o Motociclismo acompanhou a possibilidade de Bulega alcançar um recorde no Estoril, no Mundial de Superbike. São acontecimentos distintos e os respectivos dados não devem ser somados ou confundidos.
Para avaliar os 102 milhões de euros e os 2024 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro, falta consultar o relatório integral. Só assim será possível conferir os pressupostos, o período de referência e a forma de cálculo dos efeitos atribuídos ao Grande Prémio.
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Perguntas e respostas
O MotoGP Portugal 2025 terá gerado 102 milhões de euros de VAB?
Esse é o impacto atribuído aos resultados divulgados de um estudo da EY-Parthenon para a Parkalgar.
O relatório e a metodologia não foram verificados directamente pelo Motociclismo.
Quantos empregos aponta o estudo?
Os resultados divulgados referem 2024 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro.
Não permitem afirmar que houve 2024 contratações permanentes.
Quantas entradas teve o Grande Prémio?
A informação divulgada aponta para aproximadamente 166 mil entradas durante o fim de semana e espectadores de 70 países.
O total de entradas não corresponde necessariamente ao número de visitantes únicos.
Motociclismo · 2 artigos
Não segue um campeonato só. Salta das Superbike para os ralis e da IndyCar para o motocross, à procura do que liga as motos e os automóveis: os pilotos que mudam de disciplina, a tecnologia partilhada, as tendências que atravessam todo o desporto motorizado. Os fins de semana passa-os, basicamente, em frente à televisão.
Colaborador do Motociclismo. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o Motociclismo, o AutoGear e o M Sports.
