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Canadá aplica tarifa de 50% às motos americanas acima de 800 cm³ e ameaça Harley-Davidson e Indian

Publicado a 14 de Setembro de 2026, às 14h30  ·  4 min de leitura

O essencial

  • O Canadá aplica tarifa de 50% às motos americanas com motores superiores a 800 cm³ desde 8 de setembro.
  • A medida afeta principalmente Harley-Davidson e Indian Motorcycle, marcas com forte presença no segmento de maior cilindrada.
  • A tarifa incide sobre produtos originários dos EUA, pelo que motos Harley-Davidson produzidas na Tailândia poderão estar isentas.

A guerra comercial e as novas tarifas

A guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá já está a ter consequências diretas no mercado de motos. Desde 8 de setembro, o Canadá aplica uma tarifa de 50% às motos com motores de combustão superiores a 800 cm³ originárias dos Estados Unidos, uma medida que atinge diretamente grande parte da gama de Harley-Davidson e Indian Motorcycle. A nova sobretaxa faz parte do pacote de medidas de retaliação comercial adotado pelo governo canadiano.

A medida aplica-se especificamente a motos cujo país de origem é os Estados Unidos, e não simplesmente a marcas norte-americanas. A lista oficial canadiana identifica as motos com motores de combustão de cilindrada superior a 800 cm³ com uma tarifa de 50%, deixando de fora, em princípio, modelos abaixo desse limite e motos que não tenham origem nos EUA.

Impacto em Harley-Davidson e Indian

O impacto potencial sobre a Harley-Davidson é particularmente significativo. Grande parte da atual gama da marca utiliza motores acima dos 800 cm³, incluindo a Nightster, equipada com o motor Revolution Max de 975 cm³. A Indian Motorcycle também fica diretamente exposta à medida devido à sua forte presença no segmento das motos de maior cilindrada.

Importa, contudo, esclarecer que uma tarifa de 50% não significa necessariamente que uma moto fique automaticamente 50% mais cara para o cliente canadiano. A sobretaxa é calculada sobre o chamado ‘valor aduaneiro’ do produto antes dos impostos, pelo que fabricantes, importadores e concessionários podem, em determinadas circunstâncias, absorver parte do custo. Ainda assim, uma taxa desta dimensão coloca uma pressão considerável sobre as margens ou sobre o preço final. A própria Canada Border Services Agency confirma que a sobretaxa é calculada como uma percentagem do valor aduaneiro da mercadoria.

A nova barreira comercial surge depois de os Estados Unidos terem aplicado tarifas de 50% a determinados produtos canadianos, avaliados em 27,6 mil milhões de dólares, com entrada em vigor a 22 de agosto. O Canadá respondeu com um pacote de sobretaxas de 15%, 25% e 50% sobre produtos norte-americanos, com as medidas a entrarem em vigor às 00:01 de 8 de setembro.

Para a Harley-Davidson, a situação chega num momento particularmente delicado no mercado canadiano. Em 2025, a marca vendeu 6.434 motos no país, contra 7.093 em 2024, o que representa cerca de 5% das suas vendas mundiais. Durante o primeiro semestre de 2026, foram registadas 3.735 unidades, contra 3.912 no mesmo período do ano anterior. A nova tarifa surge, portanto, quando a marca já vinha a perder volume no mercado canadiano.

A origem de fabrico como diferencial

A origem da moto pode fazer toda a diferença

Existe ainda um detalhe importante na aplicação da medida: o Canadá especificou que as novas tarifas incidem sobre produtos originários dos Estados Unidos. Isso significa que uma marca norte-americana não é automaticamente abrangida apenas por ter sede nos EUA.

Essa distinção poderá ser relevante para alguns modelos Harley-Davidson produzidos fora do território norte-americano. A marca possui, por exemplo, produção em Rayong, na Tailândia. Caso uma determinada moto seja considerada de origem tailandesa segundo as regras de origem aplicáveis, poderá não ficar sujeita à nova sobretaxa de 50%. A questão dependerá da classificação aduaneira e das regras de origem aplicadas a cada modelo.

É uma situação particularmente interessante para a Harley-Davidson, que nos últimos anos tem recorrido a diferentes locais de produção para determinados mercados e modelos. A consequência poderá ser uma diferença de preço significativa entre motos da mesma marca consoante o local onde foram fabricadas.

O impacto da medida também não se limita aos fabricantes. A Moto Canada, que representa fabricantes e distribuidores do setor no país, alertou que uma tarifa de 50% sobre motos de origem norte-americana poderá criar consequências para concessionários, distribuidores, trabalhadores e consumidores canadianos. A organização representa uma rede de cerca de 900 concessionários e afirma que o setor sustenta mais de 88.000 postos de trabalho no Canadá.

Para já, a única certeza é que a guerra comercial deixou de ser apenas uma questão entre governos e passou diretamente para os concessionários e consumidores de motos. Harley-Davidson e Indian Motorcycle estão entre as marcas mais expostas, precisamente porque grande parte das suas propostas de maior cilindrada se enquadra na categoria agora penalizada com uma tarifa de 50%.

E, num mercado onde uma diferença de preço significativa pode alterar a decisão de compra, a origem de fabrico de cada modelo poderá passar a ser tão importante para o consumidor canadiano como a própria marca que aparece no depósito.

Redação

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