O panorama do MotoGP está ao rubro com uma atividade sem precedentes fora de pista, e o veterano empresário Carlo Pernat não está a conter-se na sua análise deste caótico mercado de transferências. Com as apostas mais altas do que nunca, Pernat classifica a situação atual como “loucura” e está pronto para dissecar a febre em torno das mudanças de equipas e dos compromissos dos pilotos.
Numa entrevista exclusiva à MOW Magazine, Pernat expressou o seu espanto perante a avalanche de movimentos de pilotos. Como salientou: “Mas quão desesperado é este mercado de transferências para 2027, a ser preparado ainda antes de se pensar seriamente em 2026?” Pernat acredita que o chefe do MotoGP, Carmelo Ezpeleta, em breve fará ouvir a sua voz, afirmando: “Se o conheço minimamente, ele não vai tolerar esta parvoíce. Isto é pura loucura e completamente ilógico.”
Pernat insiste que, apesar dos rumores, nada está oficialmente assinado ainda. “Tudo tem o seu tempo”, declarou, sugerindo que aquilo que pode parecer acordos fechados são apenas entendimentos preliminares. “Suspeito que, se existirem assinaturas, sejam pré-contratos. Podem dar opções a ambas as partes que expiram por volta de maio, possivelmente no fim de semana de Mugello”, explicou. Questionou ainda a sensatez de os pilotos tomarem decisões tão críticas sobre o seu futuro sem um conhecimento completo das circunstâncias. “Que piloto daria um salto desses, especialmente sem saber como a sua máquina atual poderá comportar-se?”
Citou especificamente o caso da estrela em ascensão Fabio Quartararo. “Por exemplo, o Quartararo está apontado para correr pela Honda em 2027. Mas sobe para a nova Yamaha e descobre que é uma máquina fenomenal — ainda assim, assinou com a Honda. Acredito que garantiu um pré-acordo, basicamente dizendo: ‘Se sair da Yamaha, vocês serão a minha primeira escolha’. O mesmo se aplica ao Martín; não o vejo como piloto principal da Yamaha”, observou Pernat.
No meio desta turbulência, há uma coisa que, para Pernat, é absolutamente clara: o futuro de Pedro Acosta é com a Ducati. “Na minha opinião, uma coisa é certa: Pedro Acosta vai pilotar uma Ducati. Ele deixou isso muito claro aos seus representantes e a outras pessoas, dizendo que quer uma Desmosedici, mostrando indiferença ao dinheiro ou até à cor da moto. O Dall’Igna não é nenhum ingénuo; se o Acosta expressa esse desejo, ele não hesitaria em dizer que sim, o Acosta terá uma Ducati.”
Sobre Marc Márquez, Pernat é igualmente categórico — acredita que Márquez vai ficar onde está. “Penso que a Ducati já deu passos financeiros significativos e tomou decisões claras para manter o Márquez. Se há alguma assinatura legítima, é o contrato do Márquez com a Ducati”, afirmou.
Isto deixa o futuro de Pecco Bagnaia em aberto. Pernat está convencido de que Bagnaia vai sair da Ducati. “O Pecco precisa de ser o número um. Já não está na Ducati, e acredito que vai sair e poderá tornar-se número um na Yamaha. É por isso que digo que o Jorge Martín, mesmo que fosse para a Yamaha, poderia acabar por passar pelo Campinoti, onde encontraria a mesma equipa e estrutura que o fizeram feliz no auge do desporto”, explicou.
Pernat também afastou a possibilidade de Bagnaia ir para a Aprilia, onde vê uma potencial dupla de Enea Bastianini ou Fabio Di Giannantonio ao lado de Marco Bezzecchi. O futuro de Álex Márquez também chamou a atenção de Pernat. “Acredito que o verdadeiro alvo da KTM possa ser o Álex Márquez; ele merece uma moto de fábrica”, afirmou, afastando a hipótese de Márquez pilotar uma Ducati oficial ao lado do irmão. “A Ducati certamente lhe ofereceria uma, mas só têm duas Desmosedici disponíveis. Já existe um meio-acordo com o Fermín Aldeguer, e o Acosta está ansioso por o assinar. O Dall’Igna tem vários jovens talentos debaixo de olho”, acrescentou. “Só vejo o Álex Márquez numa Ducati se o Marc se retirar; caso contrário, poderá ter de esperar alguns anos ou procurar oportunidades noutro lugar.”











