Cal Crutchlow acredita que Marc Márquez está a abordar o Campeonato do Mundo de MotoGP de 2026 quase como se estivesse numa «corrida de resistência». O britânico, que passou vários anos ligado à Honda durante o período em que Márquez dominou a categoria rainha, continua a considerar o espanhol como «o melhor piloto», mas acredita que a sua condição física o está a obrigar a adotar uma estratégia mais calculista e baseada em evitar erros.
Durante os treinos de sexta-feira do Grande Prémio de Aragão, Crutchlow explicou que continua a ter dúvidas sobre a condição física do piloto da Ducati.
«É muito difícil, porque continuo a achar que o Marc é o melhor piloto, mas tenho a sensação de que está a competir lesionado», afirmou.
Crutchlow não acredita que Márquez esteja totalmente recuperado da cirurgia a que foi submetido no início deste ano e considera que essa limitação poderá ter uma influência direta na forma como o espanhol gere a luta pelo Campeonato do Mundo.
«Acho que vai encarar este campeonato mais como uma corrida de resistência. Vai atacar quando realmente precisar de o fazer. Vai certificar-se de que está onde precisa de estar, tentar não cometer erros e deixar que sejam os outros a cometê-los, por assim dizer. Depois, vai atacar quando souber que pode fazê-lo», explicou.
Para o antigo piloto de MotoGP, a chave poderá estar precisamente em evitar fins de semana desastrosos, mesmo quando Márquez não tiver condições para lutar pelas vitórias.
«Silverstone não foi um grande fim de semana, mas ele vai tentar evitar fins de semana realmente maus, como alguns pilotos já tiveram. Veja-se, por exemplo, o Ai Ogura, que nem sequer está aqui», referiu.
Crutchlow reconheceu, contudo, que a atual luta pelo título é extremamente difícil de prever, sobretudo devido às constantes mudanças na classificação e aos erros cometidos pelos principais candidatos.
«É muito difícil de prever… Sinceramente, não faço ideia de como esta luta pelo título vai terminar», admitiu.
A temporada de 2026 tem sido marcada por várias reviravoltas e Crutchlow considera mesmo que o campeão poderá não ser necessariamente o piloto que conquistar mais vitórias. Num campeonato tão equilibrado, a capacidade de limitar erros e pontuar regularmente poderá assumir uma importância ainda maior.
«Acho que sim. E talvez nem seja o piloto que ganhar mais corridas. Este campeonato está extremamente imprevisível neste momento», afirmou.
O britânico apontou Marco Bezzecchi como exemplo de um dos candidatos que já perdeu algumas oportunidades ao longo da temporada, enquanto destacou Jorge Martín pela consistência demonstrada.
«O Bezzecchi também perdeu algumas corridas, enquanto o Martín parece ser, ironicamente, o único que está a conseguir manter alguma consistência, tendo em conta que no ano passado passou muito tempo lesionado. Não está constantemente a ganhar, mas está lá quando precisa de estar.»
Essa consistência voltou a ser importante em MotorLand Aragón. Martín terminou tanto a corrida Sprint como a prova principal na quinta posição, resultados que lhe permitiram conservar a liderança do Campeonato do Mundo.
Marc Márquez, por outro lado, aproveitou o fim de semana em Aragão para dar um passo importante na luta pelo título. O piloto da Ducati subiu à segunda posição da classificação geral e reduziu a diferença para Martín, colocando-se diretamente entre os pilotos da Aprilia na disputa pelo campeonato.
A evolução da classificação acaba por reforçar precisamente a teoria apresentada por Crutchlow: numa temporada particularmente imprevisível, evitar erros e maximizar os pontos disponíveis nos fins de semana mais difíceis poderá ser tão importante como acumular vitórias.

