Fabio Quartararo deixa recado à Yamaha: «Não quero desenvolver a moto para os pilotos de 2027»

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Fabio Quartararo deixou claro que não está disposto a ajudar a Yamaha no desenvolvimento da moto para a próxima temporada, depois de uma série de divergências com a marca japonesa. O francês, que se prepara para mudar para a Honda no final do ano, assumiu esta posição depois de mais um fim de semana complicado no Grande Prémio de Aragão, marcado por problemas no motor da sua M1 durante a corrida Sprint.

Quartararo, que mantém uma longa ligação à Yamaha, explicou que o fim de semana em MotorLand Aragón acabou por ser dedicado sobretudo a experiências com diferentes soluções na moto, em vez de estar exclusivamente concentrado na procura de resultados.

«Este fim de semana foi mais uma sessão de testes do que uma procura de desempenho. Pensando no futuro, não estou em posição de ajudar. E, por motivos pessoais, não quero ajudar», afirmou.

A relação entre Quartararo e a Yamaha tornou-se mais delicada desde que ficou definida a sua mudança para a Honda, sobretudo numa altura em que os fabricantes já trabalham intensamente na preparação para as profundas alterações regulamentares previstas para 2027.

Um dos principais pontos de tensão está relacionado com os testes dos pneus Pirelli, que substituirão os Michelin na MotoGP em 2027. A Yamaha decidiu não permitir que Quartararo participasse nos testes com os novos pneus, numa altura em que os fabricantes começam a desenvolver os protótipos equipados com os motores de 850 cc previstos pelo novo regulamento.

A situação deixa Quartararo sem a possibilidade de acumular experiência com os Pirelli antes da mudança para a Honda. Tal como outros pilotos que trocarão de fabricante, o francês tinha interesse em começar a conhecer antecipadamente as características dos novos pneus.

Depois da corrida em MotorLand, Quartararo revelou que chegou a pedir à Yamaha para participar num dos testes, mas recebeu uma resposta negativa.

«Queria fazer o teste na Áustria. Mas, infelizmente, a Yamaha não quer que eu experimente os pneus Pirelli. Queria fazê-lo, mas não me permitem», explicou.

Esta decisão contribuiu para a posição assumida pelo francês relativamente ao desenvolvimento da moto de 2027. Quartararo considera que não faz sentido trabalhar especificamente numa máquina que será utilizada pelos futuros pilotos da Yamaha quando ele próprio estará ao serviço de um fabricante rival.

Ainda assim, o campeão do mundo de 2021 garante estar disponível para testar soluções que possam melhorar a atual M1 e proporcionar resultados durante o restante período que passará com a Yamaha.

«Pessoalmente, não quero desenvolver a moto para os pilotos de 2027. Se conseguirmos melhorar alguma coisa para este ano, então farei esse trabalho. Mas não vou levar-me ao limite nem assumir o papel de piloto de testes», afirmou.

A posição de Quartararo estabelece assim uma distinção clara: o francês continuará empenhado em melhorar a Yamaha que utiliza atualmente, mas não pretende contribuir diretamente para o desenvolvimento de soluções destinadas à temporada seguinte, quando já estará ao serviço da Honda.

Com os testes de desenvolvimento para 2027 a ganharem cada vez maior importância, a relação entre Quartararo e a Yamaha entra numa fase particularmente delicada. O francês pretende concentrar os últimos meses com a marca de Iwata na procura de resultados, enquanto começa a preparar uma nova etapa da carreira ao serviço da Honda.

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