A Kawasaki está a levar o conceito Corleo muito mais longe do que um simples protótipo futurista. Os novos desenhos e descrições associados a pedidos de patente revelam detalhes inéditos sobre o funcionamento deste veículo de mobilidade todo-o-terreno com quatro pernas, incluindo a forma como o condutor irá controlar os movimentos, o equipamento necessário para o conduzir e os sistemas destinados a tornar a experiência mais próxima de montar um cavalo do que de conduzir uma moto. A Kawasaki já confirmou que o desenvolvimento de Corleo avançou com o objetivo de preparar uma utilização no âmbito da Expo 2030 de Riade e aponta para uma possível comercialização em 2035.

Corleo transforma a posição do condutor em comandos
Um dos elementos mais surpreendentes está na forma de controlo. Em vez de um guiador convencional com acelerador e comandos semelhantes aos de uma moto, Corleo interpreta a posição e os movimentos do corpo do condutor. A Kawasaki já tinha explicado que a máquina utiliza sensores associados aos apoios dos pés e às zonas de apoio das mãos para detetar deslocações de peso e transformá-las em instruções de condução.
Os documentos agora conhecidos aprofundam essa ideia e apontam para a utilização de equipamento específico equipado com sensores, incluindo uma unidade de medição inercial (IMU), capaz de acompanhar continuamente o centro de gravidade do condutor. Inclinar o corpo para um dos lados poderá, por exemplo, indicar a intenção de virar nessa direção. A interação entre pessoa e máquina é, assim, uma das características fundamentais de Corleo.
A própria Kawasaki descreve o projeto como uma combinação entre tecnologias desenvolvidas para motos e sistemas de robótica. A estrutura de quatro pernas permite enfrentar terrenos onde uma moto convencional teria dificuldade em avançar, enquanto mecanismos inspirados nas suspensões e nos braços oscilantes das motos são utilizados para absorver os impactos e manter uma posição estável.



Quatro pernas, suspensão e até dois ocupantes
As pernas articuladas de Corleo não servem apenas para permitir que o veículo caminhe. Os desenhos mostram uma arquitetura pensada para absorver irregularidades do terreno e proporcionar maior conforto ao ocupante. A Kawasaki também prevê a possibilidade de transportar duas pessoas, com apoios para os pés ajustáveis para cada ocupante.
Os apoios assumem uma configuração mais próxima dos pousa-pés de uma moto do que dos estribos tradicionais de um cavalo. A solução permite manter o condutor numa posição estável enquanto a máquina adapta continuamente o funcionamento das quatro pernas ao terreno.
Outro detalhe pouco habitual é a existência de um compartimento de armazenamento integrado. Apesar de Corleo ter sido concebido sobretudo como veículo de mobilidade em ambientes naturais, esta solução mostra que a Kawasaki está a pensar numa utilização mais prática do que a de um simples demonstrador tecnológico.
Na parte dianteira, o veículo terá também um sistema de iluminação capaz de iluminar o caminho e sinalizar a sua presença a outros utilizadores. A patente descreve uma iluminação que pode adaptar a intensidade e a direção da luz às condições envolventes, uma solução particularmente interessante para utilização em ambientes onde o terreno e a presença de outras pessoas ou veículos podem variar constantemente.

Um motor de hidrogénio alimenta a eletrónica e as quatro pernas
Apesar de visualmente parecer um animal mecânico, Corleo não é um veículo elétrico convencional alimentado por uma grande bateria. A Kawasaki desenvolveu o conceito em torno de um motor de hidrogénio de 150 cc destinado a produzir eletricidade, com o hidrogénio armazenado em cartuchos instalados na zona traseira. A energia gerada alimenta os atuadores responsáveis pelos movimentos das pernas e os restantes sistemas eletrónicos.
A solução permite à Kawasaki combinar a experiência acumulada na área dos motores com a sua tecnologia de robótica. Os cartuchos de hidrogénio foram também pensados para poderem ser substituídos, uma característica particularmente relevante num veículo destinado a operar longe das infraestruturas convencionais de abastecimento.
Corleo terá modos de condução e sistemas de segurança
Os desenhos revelam ainda a existência de diferentes modos de funcionamento. Entre eles estará um modo automático e um denominado “wasteland mode”, pensado para terrenos particularmente difíceis. Também estão previstos modos para velocidades baixas e elevadas, permitindo adaptar o comportamento do veículo ao tipo de utilização.
A segurança assume igualmente um papel central. O sistema poderá monitorizar continuamente a posição do condutor e a forma como este interage com os comandos. Se as mãos deixarem de estar nos apoios ou se determinados movimentos forem interpretados como uma situação de perda de controlo, Corleo poderá reduzir a velocidade ou parar completamente.
Esta filosofia está alinhada com a intenção declarada pela Kawasaki de utilizar Corleo não apenas para lazer, mas também em situações onde a mobilidade em terrenos difíceis possa ser útil, incluindo operações de salvamento e resposta a catástrofes.



A Kawasaki ainda não revelou a velocidade nem a autonomia
Apesar da quantidade impressionante de informação revelada, continuam a existir várias incógnitas. A Kawasaki ainda não indicou a velocidade máxima de Corleo, a autonomia esperada, as limitações de utilização em temperaturas extremas ou a capacidade para enfrentar os terrenos mais exigentes.
O calendário também mostra que ainda estamos perante uma tecnologia em desenvolvimento. A Kawasaki pretende acelerar o projeto tendo em vista a Expo 2030 de Riade, enquanto a comercialização foi apontada para 2035.
Corleo nasceu como um conceito de mobilidade futurista, mas os desenhos de patente mostram que a Kawasaki já está a trabalhar em soluções concretas para transformar essa ideia num veículo funcional. Com quatro pernas, propulsão a hidrogénio, sensores capazes de interpretar os movimentos do condutor e tecnologia herdada das motos e da robótica, Corleo pode acabar por ser uma das propostas de mobilidade mais invulgares alguma vez desenvolvidas pela Kawasaki.


Imagens: Rideapart


